Sei que a cada dia que passa sinto mais fortemente a necessidade de ter alguém ao meu lado e que a solidão me inquieta. Percebo que invejo a vida dos outros que estão levando suas vidas felizes e que já não são mais quem costumavam ser. O tempo passou e encontraram sua vida feliz, sua outra metade. E que subitamente entraram em colapsos de felicidade intermináveis, unindo-se a nunca mais separar. E ainda me sinto fora do jogo tentando buscar aquilo que os outros já encontraram.
Tenho um trabalho, uma vida boa. Tenho um bom salário, nada me falta. De todos que tenho conhecido de minha idade, sou um dos, se não o melhor remunerado. Gosto das minhas atividades profissionais e já tive provas de que meu trabalho é o sonho de muita gente. Mas mesmo assim a solidão me derrota. Infelizmente me sinto deprimido quando vejo que pessoas que passaram pela minha vida estão felizes com menos do que tenho, mas com quem dividir a vida. Alguém com quem se preocupar e dizer que não virá para o jantar porque a reunião irá até mais tarde. Alguém que estaria agora ao meu lado e então eu não escreveria esses pensamentos.
Confesso que sou vitima da solidão traçada pelas minhas próprias mãos. E sou sozinho e não sei se conseguirei ser diferente. Tenho muito medo que a minha solidão se contamine e interfira nas vidas de pessoas que possam me amar.
Estou certo de que posso ser amado, mas não consigo responder se posso amar.
Por algum tempo eu acreditei que a solidão seria uma fraqueza humana, acometida somente aos fracos que inventavam desculpas para fugir dos seus problemas. Colocavam assim outras pessoas em suas vidas somente a lhes dar o tempo necessário para não pensar nos problemas verdadeiros que poderia ter. Um casal era a desculpa para que alguém tivesse o que fazer assim que a vontade sexual acabasse. Porque isso acaba. E ficavam assim juntos para não ter que pensar em outros problemas. E ficavam juntos para obedecer a uma regra da sociedade. Casar-se.
Os exemplos que vejo são os piores. Até quando o amor é o remédio da solidão? Sexo não acaba com a solidão. Ao contrário, instiga-a pois o sexo com desconhecidos é momentâneo e vazio; somente para dar vazão a necessidade do prazer, e não para curar a solidão.
Pensei que poderia fazer uma história diferente baseada na ignorância da solidão, como uma decadência entre os fracos, pois os fortes não têm solidão. São fortes e autossuficientes para não temerem a solidão. Mas, não! A solidão é de fato o mal do tempo. Uma doença social que acomete a sociedade. Não aos homens ou às mulheres, mas à convenção social, ou àquilo que chamamos de organização social.
Por isso quando vejo que os demais são menos do que eu, mas jamais sofrem de solidão, percebo e admito que naufrago nesse mal social chamado solidão. Não sou feliz quanto os que vejo, e não sei como mudar.
Tenho medo de não conseguir ser feliz porque meus hábitos se acostumaram com a solidão. O que foge do controle único de minhas mãos, me incomoda profundamente. Não ser só pressupõe compartilhar o controle dos hábitos, das vontades, do tempo, da visão, da vida.
Evandro Gimenez
São Paulo, 11 de dezembro de 2011.
