19 de nov. de 2008

Paz, equilibrio e tranquilidade


A historia esta latente...
Quer sair... não sai...
Porque as inspirações tem de ser com dor?
Porque quando a dor ameniza, a inspiração adormece?

Queria escrever sobre uma reconstrução, sobre uma oportunidade, sobre uma possibilidade.
Mas tudo o que me vem a mente me parece insuficiente ou exagerado.
Na dor nos afundamos no mais profundo do desespero.
E na tranquilidade?
Ainda não posso falar de felicidade... ainda não...
Posso falar apenas de um estado de paz.
A paz que traz alivio, a paz que traz tranquilidade, a paz que acalenta... a paz que traz equilíbrio.

Mas tudo isso parece que não é suficiente pra inspiração acordar.
Ela continua adormecida.
Me parece que ela precisa ser cutucada, chacoalhada, molhada de lágrimas.

Mas dessa vez, não!

Dessa vez ela vai ser libertada com muita persistência, com a produção de textos medíocres, com exercícios de paciência.
E ela vai voltar ...

E quando chegar, vai trazer o mais profundo também destes sentimentos mais amenos e mais prazerosos.

A paz também precisa ser gritada, a tranquilidade precisa ser exaltada, o equilíbrio precisa ser enaltecido de tal forma que se torne presente em tudo o que for produzido daqui pra frente na minha vida.

Patricia Pereira
19/11/2008

18 de out. de 2008

Essencia










As vezes me bate uma vontade louca de retroceder..
Apertar um botão, assim como no DVD, pra voltar a fita e o tempo.
Voltar para ficar num lugar cômodo, onde eu já dominava todas as variáveis.
O desejo é sair dessa montanha russa e voltar a estabilidade.

O tempo do agora é mais interessante, porém mais estressante.
O tempo do agora é mais quente, mais apimentado, mais temperado.
O tempo do agora trás possibilidades, trás emoções, trás instabilidade.
O tempo do agora trás energia, trás movimento, trás inconstâncias.

Sempre buscamos essas sensações, eu sei.
É bom sim, não vou mentir.

Mas meu perfil não é este.
Meu perfil é estável – sujeito a instabilidade
É calmo, sujeito a agitações
É tranqüilo, sujeito a intranqüilidade
É morno, sujeito a elevação de temperaturas
E temperado, sujeito a grandes destemperos
É suave, sujeito a asperezas
Eu sou o mistério que me ronda,
Sou o que sou e o que quero ser.
Tudo ao mesmo tempo
As coisas se confundem e se clareiam no mesmo instante
Se acalmam e se agitam
Se estabilizam e movimentam-se
Esse misto de mim no hoje e no ontem sobrevivem no mesmo espaço
Na mesma cadencia
Na mesma cumbuca
No mesmo ritimo
No mesmo compasso
No mesmo instante

Mas tudo isso não define ainda quem sou ou quem estou.
É na mistura que tiramos a essência
É na essência que se percebe de que mistura somos feitos

Qual é o seu paladar?
Qual é o seu gosto?
Qual é a sua busca?


Patricia Pereira
18/10/2008 - Revisitado em 04/11/2018

12 de out. de 2008

Obvio?






















Hoje novamente em meu peito essa vontade de escrever.
Ela tem vindo sem forma.
Uma vontade sem vontade.
Um desejo sem ideia
Normalmente ela aparece nas angustias e nas dores...
Hoje ela veio na confusão.

Confusão de sentimentos
Confusão de ideias e ideais
Confusão de sentido, de percepção, de olhar
Apenas Confusão

Pulsa. Aperta o peito.
Se mexe .. machuca...
Incomoda
Doi fisicamente.
Acordei assim...

O que quero comunicar hoje?
O que precisa ser expurgado?
O que precisa ser limpo?

Como me disseram um dia
Talvez me falte a leveza.
A malicia não me acompanha
Porque somos tudo junto
E nada disso ao mesmo tempo

Se chegue mais perto
Se aproxime
Me conheça
Me examine
Se aprofunde verdadeiramente em minha essencia

O que aparento não sou
O que sou... nem sempre aparento

O equilíbrio esta entre os extremos
Obvio?   Nem sempre.

Patricia Pereira
07/10/2008 revisitado 04/11/2018

25 de ago. de 2008

Fração de um momento


O medo anda me rondando...
A solidão o trouxe
Me deparei comigo.
Mas ainda não consegui me ver como sou

Um dia me vejo tão menina, tão frágil, tão indefesa...
No outro me vejo a adolescente, querendo que a vida me invada sem pudores
Mas ainda em outros me vejo mulher, com os pés no chão, com fragilidades de quem foi muito machucada, e sem saber o que vem depois...
E é justamente esse não saber que me angustia
É justamente essa escuridão na frente dos meus olhos que me intimida.

Nunca tive medo do amanhã, sempre achei que algo estivesse preparado com carinho pra mim no futuro...
E os sinais que a vida foi me dando, também me davam esta certeza.
No entanto, acho que entendi errado.
Talvez o que tenho visto, seja o que sempre quis ver, e que havia abandonado nos porões onde guardamos os sonhos da infância.
Lá, num lugar bem escondido, encontram-se as ilusões que um dia não tivemos coragem de realizar, ou por não lhes dar a devida importância, ou por achá-las ridículas demais...
E assim, hoje me deparo com situações que um dia quis, mas esqueci
Não sei o que fazer com elas, não sei se continuo querendo, ou se aprendi a não querer mais...

Preciso olhar tudo o que a vida tem me dado como presente de Deus.
Como a possibilidade de um recomeço
Como oportunidade de crescimento e de melhoria.
Sei que ele não queria que eu continuasse numa situação tão dolorida.. .
Por isso, me deu uma dor diferente... pra me aliviar do sofrimento, pra me dar condições de viver melhor...
Me deu a vida de novo com outras possibilidades de escolha...
Me deu condições de andar com as minhas próprias pernas, ainda que machucadas, frágeis, com feridas
Me deu condições de valorizar minha família, meus amigos, meus sonhos, meus desejos, minhas vontades, meus valores.
E no futuro me dará condições de ser mais plena, mais completa e consistente.
É assim que deve ser...

Patricia Pereira
25/08/2008

21 de jul. de 2008

O que pessoas nos ensinam?





















O maior tesouro de nossas vidas são as pessoas que cruzam o nosso caminho.
É com cada uma delas que aprendemos a viver.
É com cada uma delas que moldamos e somos moldados, porque cada uma trás um ensinamento e um aprendizado:

Umas nos ensinam a ter dureza com as coisas e as pessoas.
Outras nos ensinam a ser mais leves com a vida.
Umas nos ensinam a não confiar em ninguém.
Outras nos ensinam que confiar plenamente em alguém nos faz mais inteiros.
Umas nos ensinam que amar não vale a pena.
Outras nos ensinam que amar alguém é a felicidade plena e que não importa o que virá depois, aproveitar esse momento é o que nos fará feliz.
Umas nos ensinam a ter medo de arriscar.
Outras nos ensinam que o risco é essencial para encontrarmos pessoas especiais.
Umas nos ensinam que a liberdade é perigosa.
Outras nos dão a certeza de que sermos livres é apenas um estado de espírito, e que desta forma não há o que ou quem possa nos prender.
Umas nos ensinam que amizade é mera ilusão.
Outras nos dão a certeza que sem amigos a vida perde a graça, a leveza, o riso.
Amigos são armas contra o desanimo, a chateação e a tristeza.
Umas nos ensinam a querer ter controle.
Outras nos ensinam que deixar a vida caminhar com suas próprias pernas é mais sábio, pois ainda que você tente controlar, as coisas simplesmente acontecem, sem o nosso consentimento.
Umas nos ensinam a ter medo.
Outras nos mostram que o medo existe sim, mas pode ser usado de forma proveitosa sendo encarado como desafio a ser vencido ao invés barreiras a recuar.
Enfim eis aqui o meu ensinamento pra constar na sua lista:
Viva plenamente ! O quanto conseguir! E cada vez mais !
Não! Não tenha medo. Eles paralisam, fazem você perder ótimas oportunidades!
Oportunidades de fazer coisas novas, de viver coisas novas e de conhecer e ter pessoas novas e especiais.
Procure ser mais leve com as coisas e as pessoas.
Muitas vezes elas são apenas os reflexos de nossas próprias ações.
Confie em você. Confie em algumas pessoas.
Saber que podemos contar com alguém minimiza a solidão.
Arrisque!
Mas não indistintamente ou perigosamente.
O instinto de preservação precisa estar ativado. Mas não se prenda por convenções.
Seja livre, mas respeite a liberdade dos outros também.
Ser livre não é poder tudo e a qualquer hora. Ser livre é ter responsabilidade com as coisas e as pessoas, mas principalmente com você mesmo.
Tenha amigos!
Não muitos. Mas que sejam especiais, que tragam luz e paz a sua vida. Que faça com que ela fique colorida, alegre e que vc perceba que sem eles, ela perde a graça. Cultive-os.
Não! Não se controle tanto.
Um pouco de falta de controle deixará você mais maleável, te dará amadurecimento, te fará ver as coisas de outra forma. Experimente!
Deixe a vida transitar na sua vida.
Solte-se um pouco.
Siga o fluxo!
Desvie o caminho!
Volte !
Se perca!
Se ache!
Pare!
Corra!
Viva!

Patrícia Pereira
21/07/2008

20 de jul. de 2008

Liberdade

Hoje sou livre.
Mas o que é a liberdade se o que nos prende somos nós mesmos?
A liberdade é o poder ir e vir?
É fazer o que lhe da vontade?
É ter o que bem quiser?
E porque não nos sentimos livres assim?
Porque o maior carrasco e o maior tirano de nossas vidas somos nós mesmos..
Mas como é duro admitir isso!!!
Como é duro olhar para o feitor que existe dentro de mim e enfrentá-lo.
Nestes momentos em que ele se coloca em minha frente me impedindo de fazer o que quero, olho pro lado e identifico logo a minha vítima. Aquele que será o culpado por eu não conseguir olha-lo de frente.
O Outro.
Esse outro tem várias formas e se transfigura a medida que meu carrasco interno me cobra de ações.
Ele pode vir em forma de falta de dinheiro, na pessoa que diz não, ou na que diz sim, no meu pai da infância, na minha mãe da adolescência, nos namorados que tive e dos que não tive, nos amigos, no trabalho... enfim.. .naquilo que primeiro entendo como interessante pra culpar.
Mas não percebo o que faço.
A Liberdade que tanto buscamos, a paz de espirito, está muito mais perto de nos que podemos imaginar...
Basta termos coragem de pegar em suas mãos, confiar em seus braços e prosseguir...

Patricia Pereira
20/07/2008

10 de jun. de 2008

Desbotado

Hoje as coisas estão com um colorido diferente.
Me parecem mais desbotadas.
Mas não sem cor... talvez passemos por momentos tão complicados que o simples fato de resistirmos, nos tira a força para que vejamos até a intensidade das cores.
Meu mundo não é mais o mesmo, ele está diferente.
Tento me encontrar nas coisas que eu tinha, mas elas já não estão mais lá.
Tento buscar referencias nas experiências e nas lembranças passadas, mas elas também foram transformadas.
Nada é como antes.
Tudo o que eu esperava da vida, tudo o que eu imaginei ser, ter, encontrar, não é, não foi e não será.
Este momento de transformação é aterrorizante.
Não vejo o horizonte, não consigo prever pra onde minha vida vai caminhar.
A única coisa que me resta, é me jogar, me lançar, sem pensar.
Estou na busca constante de mim mesma, das minhas referencias, do meu eu, do que sou, do que tenho, do que posso ou não compartilhar com o mundo, do que tenho a oferecer de bom a alguém.
Isso tudo se perdeu neste turbilhão.
E nesta busca desenfreada, me perco.
E aí o medo aparece, manso, sorrateiro e vai tomando conta de mim.
Me desespero e grito um grito surdo: Cadê eu?
Medo!
De que?
Da vida
Porque?
Não sei.
Tenho medo da forma que ela vai tomar, mas tenho mais medo ainda, porque sou eu quem vai dar este contorno nesta coisa amorfa que hoje se faz presente.
Sou eu quem decidirá o que fazer. Esta tudo em minhas mãos.
E elas estão frágeis.

Patricia Pereira
Maio/2008

Voce resolveu perturbar meus sonhos...

Você agora resolveu perturbar meus sonhos.
Antes, você aparecia assim,  numa lembrança insistente
Mas eu tinha meios e recursos para afastar estes pensamentos e me prevenir de você.
No entanto, era no sono a única hora em que você me deixava tranquila. A unica hora em que meus pensamentos não iam ao seu encontro.
Mas hoje você resolveu aparecer
Até os meus sonhos tem invadido.
Meu Deus! Como foi bom!
Ver você ali de maneira tão real e confusa, uma realidade onírica, meio verdade, meio fantasia
E foi assim que talvez encontrei uma forma de ter você mais perto.
Os sonhos têm esse poder.
Transformam aquilo que a realidade diz não ser possível acontecer.
Mas não foi assim...
Eu te via... te queria... e você não enxergava...
Muito próximo a realidade, mas de uma forma tão sutil que lá não machucou.
Meus dias tem sido olhar sua foto e me contentar.
Isso é platônico eu sei.
Mas é a forma como posso hoje ter voce.
Ainda que eu implore para que isso passe...
Ainda que eu chore pra que você me perceba...
Ainda que eu queira chamar sua atenção, que eu queira você comigo, sei que o tempo é o melhor remédio pra tira-lo de mim.
Fica!

Patricia Pereira
22/05/2008 - revisitado em 04/11/2018

15 de mai. de 2008

2º Conto: Santine

Aquela era uma festa muito aguardada pela sociedade local.
Santine faria 18 anos.
Era costume da época apresentar a bela moça que entrara na juventude a todos da sociedade, principalmente aos moços solteiros, disponíveis e de boa família.
Todas as amigas de Santine estavam em êxtase com a expectativa do baile.
Naquela semana, a pequena cidade já estava um alvoroço. Mães com filhas a caminhar pelas lojas e bazares a compra de contas, cortes de tecidos franceses trazidos especialmente para a ocasião, luvas de seda, bordadas ou não, brincos, colares, e outros penduricalhos que tanto as agradava.
E os chapéus então! Ah! Os chapéus, finamente ornamentados. Uns com discrição e outros com grandes plumas chamando atenção de quem passasse por ele.
Mas Santine não estava feliz.
Até um ano atrás, este era o dia mais esperado de sua vida. Sabia desde pequena que seu baile de 18 anos seria o mais bonito, o mais disputado, o mais esperado mas hoje isso não importava mais.
Há aproximadamente dois anos, conhecera Rodolfo.
Um moço bonito, de olhos amendoados cor de mel, pele morena, dentes alvos e um corpo bem torneado.
Seu encontro com Rodolfo não foi propriamente um encontro, foi um acidente literalmente.
Santine voltava da escola distraída pela calçada, quando sentiu um baque, e viu seus livros de latim e francês voarem para o meio da rua, sentiu seu joelho bater no chão, e esquentar. Sentiu o sangue correr, quando se deu conta do ocorrido, estava sendo levantada por mãos fortes e quentes como nunca sentira.
Voltando a si, a primeira coisa que fez foi abrir a boca pra gritar, e gritou feito uma menininha mimada.
Rodolfo pediu para que ela parasse e perguntou se estava tudo bem, de uma maneira tão firme e delicada, que Santine se perdeu naquele som, que inebriou seus ouvidos e sua mente.
Ele pediu desculpas, disse que o freio da bicicleta não funcionou, e queria saber se ela realmente estava bem, se queria ver um médico, se conseguia andar, se realmente não havia se machucado.
Ele fez tantas perguntas que ela começou a rir sem parar, deixando Rodolfo com vergonha e confuso.
Quando percebeu, Santine corou. Mas aí foi Rodolfo que sorriu.
No minuto seguinte se apresentou, disse que se chamava Rodolfo, que trabalhava na farmácia, na rua ao lado e que estava atrasado.
Ela também se apresentou. Trocaram um olhar intenso, e se despediram.
Os dias seguiram, mas aquele tombo deixou marcas em Santine.
Ela passava todos os dias pelo mesmo caminho à espera de uma bicicleta desgovernada. Mas isso nunca mais aconteceu.
Ela precisava vê-lo novamente. Não sabia por que, mas não conseguia tirar Rodolfo da cabeça.
Será que ele tinha uma namorada?
Onde será que ele morava?
Quem eram os pais dele?
Poderia convidá-lo para ir à festa?

Vinha com estes pensamentos, e como que inconsciente virou na rua da farmácia.
Quando se deu conta já estava entrando. Não havia mais como voltar, disfarçou, cumprimentou seu Juvenal e inventou uma desculpinha. Pediu um preparado para a garganta, que não estava bem.
Seus olhos num segundo percorreram todo o ambiente atrás de Rodolfo e nada. Entristecida, agradeceu seu Juvenal e saiu, qual não foi sua surpresa, quando viu Rodolfo correndo em sua direção.
- Aconteceu alguma coisa? Esta tudo bem com você?
Ela corou.
Disse que sim, e que tinha vindo buscar um preparado para a garganta.
Rodolfo então, se despediu e ia saindo, quando virou-se para Santine e perguntou:
- Você tem namorado?
Santine quase caiu tamanha sua emoção.
Suas pernas tremiam tanto, que teve a impressão de um terremoto passando naquele segundo. Teve receio de Rodolfo perceber.
- Não. Não tenho.
E ele continuou.
- Desde aquele dia, não tiro você da cabeça. Podemos tomar um lanche qualquer dia destes?
Santine mais que depressa concordou. Mas explicou que seu pai era muito bravo e que teria de ser durante o dia, assim que saísse da escola.
Rodolfo pensou um pouco e concordou. Explicou que por causa do seu trabalho, teria um pouco de dificuldade, mas que isso não seria empecilho.
Passaram-se dias, e nenhuma noticia de Rodolfo.
Santine estava angustiada, pela espera. Mais de duas semanas e nada!
Ela chateou-se, mas não havia o que fazer, tocou sua vidinha como sempre.
Três meses depois, Santine vinha com livros nas mãos, bolsa nas costas e mais alguns papeis se equilibrando, quando avistou Rodolfo na porta da escola a sua espera. Teve vontade de largar tudo no chão e sair correndo, mas se conteve como uma dama deveria se portar, assim ensinara sua mãe.
Rodolfo se aproximou, beijou sua testa e pegou os livros que estavam em suas mãos e disse com toda simplicidade:
- Só hoje consegui uma folga pra tomarmos o lanche, me desculpe.
Saíram para a confeitaria mais próxima, sentaram-se, pediram o lanche, e começaram a conversar.
Falaram de tudo. Rodolfo falou de sua família humilde e trabalhadora. Disse que também estudava, mas com sacrifício, e que Seu Juvenal o ajudava como podia, pois como trabalhava com ele desde pequeno, e ele não tinha filhos, o auxiliava no custeio da faculdade.
Santine falou de sua família, contou que seu pai era um fazendeiro que criava gado na região, e que estudava por opção, pois seu pai dizia não ser necessário. Disse que seria a primeira mulher da família a entrar para a faculdade, e que isso estava lhe custando muitas brigas e desentendimentos, mas que era persistente e não ia desistir.
Falaram de tudo, e quando deram-se conta, a tarde ia caindo e a noite chegando de mansinho.
Prometeram se encontrar outras vezes.
Dali em diante, Rodolfo sempre procurava um jeito de lanchar com Santine, e esta por sua vez, sempre tinha algo a buscar a farmácia.
Seu Juvenal, senhor bondoso e bem vivido, aconselhou Rodolfo a não se empolgar tanto assim, visto que o pai de Santine era conhecido pela rigidez.
Mas quando o amor chega, não há quem o segure.
Santine já não conseguia mais esconder sua paixão. Não tinha mais fome, estava sempre com o pensamento em outro lugar, estava avoada.
Foi quando sua mãe a chamou para uma conversa perguntando quem era o rapaz.
Santine se assustou, não costumava falar destas coisas com sua mãe. Deve ter sido uma de suas amigas invejosas. Mas a mãe esclareceu que já vinha observando a algum tempo, que ela estava com um brilho diferente no olhar.
Diante disso, Santine resolveu contar pra mãe que a acolheu e disse não haver problemas quanto à condição de Rodolfo, que ele era um moço conhecido por seu esforço e honestidade, e que tinha certeza que seu pai não se oporia.
Rodolfo, num dia ensolarado, disse a Santine que não conseguia mais sustentar aquela situação e que queria namorar, pediu permissão para falar com o pai de Santine. Ela consultou sua mãe que preparou o terreno.
Rodolfo então foi jantar na casa de Santine para pedir sua mão em namoro, como era costume da época. Seu pai um homem severo, já havia feito uma investigação completa sobre Rodolfo, e viu que o rapaz merecia a oportunidade de estar com sua filha.
Então, desde esse dia começaram a namorar.
Santine e Rodolfo eram só felicidade. Bastava olhar para eles, para sentir irradiar a alegria.
Tudo estava caminhando bem, os estudos de Santine, a Faculdade de Rodolfo, o namoro, quando ela começa a perceber que ele esta um pouco triste.
Tenta saber o que esta acontecendo, porque ele esta assim?
Desconfia e pergunta se ele não gosta mais dela.
É aí que Rodolfo se abre conta que por causa de sua bolsa de estudo, deverá ficar um semestre fora da cidade, para finalizar o curso de farmácia em São Paulo.
Essa noticia gelou Santine. Faltavam 06 meses para o seu baile e eles já haviam combinado que Rodolfo dançaria com ela.
Mas os planos foram por água abaixo, pois, se Rodolfo não fosse pra SP, perderia a bolsa e não poderia concluir seus estudos. E voltar para o baile estava fora de cogitação, uma vez que era um gasto a mais em seu orçamento tão apertado.
Rodolfo avisou Santine que sua partida ocorreria dali três semanas e pediu para que ela o esperasse, pois assim que se formasse, começariam a ajeitar o casamento, e ele pediria sua mão a seus pais.
Santine chorou copiosamente. Mas não poderia impedir Rodolfo de finalizar seus estudos.
Três semanas depois acompanhou Rodolfo até a estação de trem e se despediu com uma dor em seu  peito que não suportou.
Chegou em casa e se fechou no quarto não saindo de lá por dois dias.
A mãe preocupada, tentava alegra-la com os preparativos da festa.
Após três meses da partida de Rodolfo, a festa de Santine estava toda encaminhada. Mas nada a alegrava.
Na semana da festa, todos estavam alvoroçados, mas Santine continuava apática, se esforçava para agradar seus pais, mas não conseguia se sentir feliz numa festa onde Rodolfo não estaria.
Chegou o grande dia.
Na hora marcada, o salão estava impecável, os garçons, os maitres, todos a postos para a grande festa.
A decoração estava lindissima.
A mãe de Santine tomou o cuidado de convidar os pais de Rodolfo e suas duas irmãs, para que tudo saísse perfeito. Santine ficou satisfeita, mas não propriamente alegre.
Faltava Rodolfo.
Os convidados começaram a chegar. Cada um mais bem vestido que outro.
O salão repleto!!! Pessoas se movimentando pra lá e pra cá.
Canapés, vinhos, destilados, salgados dos mais variados, tudo estava de extremo bom gosto.
As amigas tentavam alegrar Santine, mas não conseguiam.
Ela escolhera com Rodolfo o corte de tecido que seu vestido fora confeccionado. Verde água era a cor preferida dele.
O tempo passa e a hora mais dolorida para Santine estava chegando: a dança!
Ela havia ensaiado tudo com Rodolfo e agora seria como todas as outras, dançaria com seu pai.
Não que não gostasse, mas era Rodolfo quem queria.
Anunciaram a dança, ela estava a um canto, virada para a parede conversando com as amigas, quando foi chamada a se colocar no centro do salão com seu pai.
Uma roda formou-se a sua volta para que todos pudessem contemplar a dança.
A musica começa. Ela lembra de Rodolfo, havia trocado a musica, pois não queria que sua dor fosse maior.
Seu pai com orgulho a tomou nos braços, e começou a girar.
Não se passou um minuto e a musica que ela havia escolhido com Rodolfo começou a tocar. Ela imediatamente reclamou com seu pai, que não era este o combinado.
Seu pai nem lhe deu atenção e foi girando... Os olhos de Santine encheram-se de lágrimas. Pediu para parar, mas seu pai estava estranho, não lhe ouviu, não ligou pra sua tristeza...
Sem que Santine percebesse, seu pai a levou rodopiando a um canto do salão. Quando chegou, as pessoas saíram da frente e deixaram Rodolfo passar.
Ele estava lindo, no fraque escolhido por Santine para aquela ocasião.
Sem entender nada, santine paralisou.
Seu pai então, lhe disse: Feliz aniversário minha filha. ! E passou-a para os braços de Rodolfo.
Ele carregava nas mãos uma rosa vermelha com um lindo anel de brilhantes na ponta e disse:
- Santine, você aceita casar-se comigo?

Desde este dia, nunca mais se desgrudaram.

Hoje, Rodolfo toma conta da sua rede de farmácias, Santine esta terminando sua faculdade de comunicação, e já esta na terceira gravidez.

Quem disse que a vida tem de ser diferente de um conto de fadas??


Patricia Pereira
15/05/2008

13 de mai. de 2008

Invasão

Hoje você apareceu de novo invadindo minha mente sem piedade.
Chegou, chutou a porta e entrou.
Nem pediu licença!
Meu coração estava todo dolorido, todo machucado, mas você sem compaixão, se alojou.
Abriu a porta com tal violência que não deu nem tempo de perceber que eu não te queria ali.
Que falta de jeito!
Quando tento acertar as coisas, vejo você lá, tomando conta de todo espaço que consegue, inclusive daqueles que passavam por uma reforma delicada.
Invadiu minha vida e minha mente sem cuidado.
Chegou completamente sem jeito e se instalou.
Tenho feito de tudo pra que você não bagunce mais o que está sendo arrumado.
Tome cuidado com as reformas, com as partes sensíveis e com aquele cantinho que é o mais secreto e que cuido com o maior zelo.
Tenha cuidado com o seu olhar, com seu gesto, com seu cheiro, com seu jeito, com seu peito.
Cuide deste espaço como se fosse seu, como se ele já te pertencesse de verdade.
E se for embora, assim como chegou, tenha a delicadeza de deixar tudo como encontrou.

Patricia Pereira
13/05/2008

11 de mai. de 2008

1º Conto: O sonho de Juliana

Juliana despertou sem saber onde estava.
Olhou a sua volta, e tentou reconhecer o espaço, os móveis, e percebeu que tudo não passara de um sonho.
Estava em seu quarto, como todos os dias.
Sua esperança, no minuto seguinte, era que realmente não estivesse ali.
Sua vida tem sido uma monotonia só.
Sentou-se na cama, acendeu o abajour, e olhou pra cortina nova que tinha colocado na janela. Realmente ela cumpria seu papel, não deixava uma fresta de sol passar!
Espreguiçou, afastou o edredon colorido e levantou-se.
Era mais um dia, mais uma rotina, mais uma chateação.
Foi até o banheiro, ligou o chuveiro, deixou a água correr para esquentar bastante. Pegou a escova de dente, a pasta, o xampu e entrou.
Deixou a água quente cair sobre seu corpo, e aquela sensação fez com que seus pensamentos voassem.
Já havia dois anos e meio que estava sozinha. Porque será? Ela se perguntava. Sua terapeuta dizia que talvez ela precisasse prestar mais atenção às pessoas a sua volta, mas por mais que se esforçasse não via ninguém.
Passou xampu, lavou os cabelos cacheados, enxaguou, passou o condicionador, passou o sabonete pelo corpo, escovou os dentes, retirou o condicionador, e saiu do chuveiro.
Aquele sonho ainda em sua mente.
Como queria que pelo menos parte daquilo se tornasse real!
Foi até o guarda roupa, pegou a primeira calça e a primeira blusa que viu, abriu a gaveta e vestiu a primeira lingerie que viu , olhou no espelho e se achou sexy.
Sem perceber, pegou o conjuntinho preto que mais valorizava seu corpo, e decidiu que merecia aquilo!
Vestiu a calça a blusa o sapato, secou os cabelos, passou o rimel, a sombra iluminadora, o baton hidratante, e se olhou no espelho.
Sentiu-se bonita, e lembrou do sonho.
Mas logo, logo sua razão a trouxe de volta como sempre fazia: - Juliana, isso foi só um sonho, repetiu para si.
Saiu ainda meio inebriada com aquelas visões, foi até o estacionamento, pegou o carro, e partiu.
Tinha resolvido tomar café naquela padaria lindíssima próximo ao seu trabalho, pois hoje merecia também um bom café!
Enfrentou o trânsito de São Paulo meio anestesiada, chegou uma hora depois. Entrou na padaria, sentou-se, puxou o livro que estava lendo e não olhou nem para o balcão com as guloseimas que mais gostava.
Pediu um capuccino, um pão com manteiga e uma água.
Abriu seu livro, mas as letras não faziam sentido naquela manhã, então lembrou-se da terapeuta: Olhe pros lados!
Resolveu aceitar o desafio.
Começou a prestar atenção a cada pessoa dentro daquele lugar. Todos pareciam tão felizes e com a vida tão equilibrada, que ela começou a se entristecer.
Mas aquele exercício de observação também tinha haver com o sonho... continuou.
Depois de 20 minutos, percebeu que tudo o que estava imaginando sobre aquelas pessoas, era o que ela gostaria de ter em sua própria vida.
De novo a terapeuta apareceu em sua mente: - Juliana, lembre-se que projetamos o que queremos lá fora... - Ai terapeuta! Sai de mim!
Pegou o livro colocou na bolsa, pegou o casaco e foi em direção ao caixa tão distraída que não percebeu Rodrigo vindo em sua direção, com a mesma distração...
Uma trombada!
Sua bolsa e casaco caíram, Rodrigo derramou todo café em si mesmo, sua roupa, uma calça social e uma camisa bem passada, ficaram praticamente ensopados.
A primeira reação de Juliana foi xingar: - Olha por onde anda!
Mas quando seus olhos encontraram os dele, ela calou-se e teve certeza. Era ele!
Não soube explicar. Mas o sonho voltou com tudo. Era ele!
Como podia ser?
Rodrigo também abriu a boca pra falar, e também calou-se.
Ficaram ali, olhando um para o outro sem conseguir sair do lugar.
De repente foram trazidos para a realidade, pelas vozes que ouviam ao longe quando se deram conta de onde estavam.
Ajudaram-se e saíram do caminho.
Falaram juntos: - É você!
Sem entender muito bem o que estava acontecendo Juliana ofereceu-se para ajudar Rodrigo a se enxugar do café derramado.
Não falaram uma palavra mais.
Sabiam o porquê de estarem ali naquele momento, daquele jeito, num encontro tão por acaso.
Mais uma vez se olharam nos olhos e foi Juliana quem tomou coragem: - Eu te conheço.
E Rodrigo imediatamente completou.
– Você é a mulher que apareceu no meu sonho desta noite. Foi por isso que estava tão distraído. Hoje desde que acordei você está em minha mente. Estou meio confuso com isso.
Juliana tentou achar o que dizer, mas nada saiu apenas uma lagrima rolou...
Não tinha explicação. O que estava acontecendo? Porque a vida estava lhe pregando esta peça? Sua razão não a deixava em paz.
Foi Rodrigo dessa vez quem quebrou o silencio.
- Eu sei seu nome...
Saíram juntos sem dizer nada, sem nenhum comentário.
Sabiam que a partir daquele momento nunca mais se largariam, sabiam que os sonhos que cada um teve naquela noite, se completavam, e isso bastava.

Patricia Pereira
11/05/2008

Choramos...

É minha amiga...
Sua existência me faz mais terna.
Sua presença me dá alento ao coração.
Saber que posso contar contigo me faz mais forte.

Você foi quem me pegou no colo nos momentos de pleno desespero...
Foi você que segurou minhas mãos nos momentos mais doloridos...
Foi você que enxugou as minhas lágrimas quando elas rolaram sem pudor.
Foi você que apareceu na minha frente, me guiando, quando eu não sabia por onde andar.
Era você que meus olhos procuravam quando a dor em meu peito gritava sem piedade.
É em você que me busco, quando estou perdida de mim mesma.

Você apareceu na minha vida para me inspirar a ser uma pessoa melhor.
Sua simplicidade, seu jeito meigo, seu coração enorme, me dão o exemplo a ser seguido.

Mas agora é seu coração que precisa de mim...
Queria ser pra você tudo o que foi pra mim.
Queria poder ter um colo tão grande quanto ao seu.
Queria ter mãos fortes pra te guiar.
Queria enxugar tuas lágrimas, como as minhas foram enxugadas por ti.
Queria ter o caminho pra te guiar, ser quem teus olhos procuram no desespero e ter pelo menos uma das tuas qualidades pra servir de exemplo também.

Mas hoje, como me encontro, posso te oferecer meus ombros, meu silencio pra te ouvir, minha gratidão, meus olhos pra chorar...


Patricia Pereira
07/05/2008

6 de mai. de 2008

Tenho uma lagrima nos olhos

Tenho uma lágrima nos olhos
Ela fica ali, quieta, só esperando a hora de se jogar.
E não precisa muito convencimento.
Ela vai por uma alegria, por uma tristeza, por uma decepção, por uma emoção mais forte.

Tenho uma lagrima nos olhos
Todos os dias ela vem a porta, olha, percebe o que sinto e decide.
Às vezes não consigo segurá-la, as vezes a convenço ficar.

Não é ruim ter lágrimas nos olhos
Elas dão brilho ao olhar,
Espelham a alma.
Elas aliviam a dor, expressam alegria, mostra a saudade, deixam explicitas as nossas verdadeiras emoções.

Hoje, várias delas saltaram. Deixei.
Rolaram na minha face sem piedade
Rolaram de um jeito que, apenas quem sente com a intensidade que que sinto, entenderá como era impossível impedi-las.
Foram-se .

Sempre imagino que as lágrimas levam as dores de minha alma.
Como a me auxiliarem na recuperação de mim mesma
Como se cada uma delas, fosse um pedacinho dessa intensidade que vive em mim
E que ao rolarem na minha face lavam minhas emoções e me deixam mais leve

Cada hora elas tomam uma forma.
Uma hora estão vestidas de mágoa, noutra vem vestidas de tristeza, noutra vem alagada de alivio, mas noutras horas são apenas lágrimas...

Tenho uma lágrima nos olhos...

Patricia Pereira
06/05/2008  revisitado em 02/11/018

Escrevo...

Escrevo... não pra ti, nem por ti
Mas por mim...
Escrevo pra que as idéias se organizem
Escrevo para que os sentimentos achem os seus lugares dentro de mim
Para que cada um ocupe o espaço que lhe cabe... sem bagunça, sem precipitação, sem atropelos
Escrevo pra me mostrar como nunca fiz...
Escrevo pra dividir, compartilhar e entregar o que tenho de melhor ao mundo: as minhas idéias, os meus pensamentos, os meus desejos...
Escrevo pra exercitar a exposição
Escrevo pra me desnudar
E desnudando, me coloco em xeque
E em xeque, me reavalio,
Me reavaliando, me angustio
Me angustiando, me procuro,
Me procurando, me perco
Me perdendo, enlouqueço
Enlouquecendo, escrevo
Escrevendo... me alivio...

Patricia Pereira
06/05/2008

4 de mai. de 2008

A Espera

Quero te olhar nos olhos
Ainda que sejam só os meus nos teus.
Quero sentir o teu cheiro penetrando em mim
Me inebriando até que eu não saiba mais quem sou
Quero sua pele encostada na minha, me fazendo tremer no calor, e suar no frio
Quero continuar com aquele frio na barriga.
Quero que você, por alguns instantes, ainda que não registre em sua mente, perceba tudo o que sinto e que não tem nome, mas esta aqui, ardendo.
Quero que você compartilhe de toda essa sensação e enlouqueça.
Enlouqueça a tal ponto, que não saiba mais o seu nome.
Enlouqueça de forma que não possa mais me tirar de seus pensamentos.
Porque nesta hora, terá um pouco de mim em você, e entenderá tudo o que hoje és na minha vida..
E neste dia, esperarei ansiosa pelos teus beijos, como nunca deixei de estar

Patricia Pereira
04/05/2008 revisitado em 02/11/2018

2 de mai. de 2008

Quero

Quero confetes!
Quero que você me diga o quanto sou boa, o quanto sou interessante e o quanto você me quer
Quero atenção.
Quero que você me olhe como nunca olhou ninguém.
Quero que você me deseje com o mais profundo do seu ser.
Quero liberdade
Quero que você me liberte dessa dor, desse incomodo, desse marasmo, dessa intensidade dolorida
Quero paz
Quero que seja você o anjo que trará alento para minha existência
Quero que seja você quem velará por mim nas noites escuras.
Quero que seja você que me mostrará os motivos pelos quais vivo.
Quero que seja você que me dará a segurança que tanto preciso.
Quero que seja você que me mostrará como é importante ter com quem se preocupar.
Quero que seja você quem se preocupe comigo também.
Quero tudo o que quero, simplesmente por não ter mais nem o que querer de verdade.


Patricia Pereira
02/05/2008 revisitado em 02/11/2018

1 de mai. de 2008

Chega!

Chega!
Não quero mais!

Não quero mais a sua presença na minha mente!
Não quero mais a sua imagem nos meus olhos!
Não quero mais o desejo de te encontrar!
Não quero mais esse misto de sensações que você me causa!

Uma mistura de prazer e dor, de esperança e desilusão!
Não quero mais a sua voz no meu ouvido sussurrando.
Não quero mais o seu corpo bailando na minha frente com aquela sensualidade que toca o mais profundo do meu imaginário.
Não quero mais buscar ilusões onde não há nada de concreto.
Não há nada que possa justificar qualquer coisa que eu venha pensar, sentir ou desejar.
Não há nada que justifique essa necessidade de contato, visual, virtual ou imaginário.
Não há nenhum sinal. Tudo o que vem de você é abstrato.
Mas como explicar essa intensidade?

As inspirações são assim mesmo!
Uma escolha inconsciente, uma escolha sem juízo, uma escolha sem escolha...
Então, me desculpe!!!
Não consigo deixar de querer tudo o que disse que não quero.
Vou continuar com você na minha mente, nos meus olhos, nos meus desejos, nas sensações que me causa, na doçura de sua voz, na sensualidade da sua dança, e nas ilusões descabidas.
Vou continuar me inspirando em você, não porque eu queira, não por escolha. Eu não tenho controle sobre isso!
Mas vou me inspirar em você até que esta inspiração se vá como a brisa que passa.
Até que esta intensidade diminua, ou até que minha dor seja tão intensa a ponto de me trazer os pés no chão.
E só os pés no chão limitam a poesia e as ilusões...

Patricia Pereira
01/05/2008   revisitado em Nov/2018

2 de fev. de 2008

Fenix

Meu Deus...
Graças ao Senhor hoje estou mais forte...
Com seu auxílio e sua intervenção, algumas pessoas do passado que tem o poder de me trazer alegria, reapareceram e estão me ajudando a superar.
Hoje é um misto de alegria e dor, de susto e prazer.. de medo e vontade
Um misto de sentimentos que não sei descrever...
Os sonhos sempre nos trazem conteúdos inconscientes... e hoje sonhei... e foi assustador
Mas Deus... eu não quero errar de novo.
Não quero fazer as pessoas sofrerem ou passarem pelo que passei.
Uma separação é muito dolorida... é muito sofrida... e ninguém merece passar por isso.
Sei que vou entender os seus designios logo logo, sei que nada neste mundo é por acaso...
Sei que o que se planta - colhe-se.
Então meu Deus, me ajude a plantar flores, me ajude a plantar o bem, o amor, a sabedoria, o crescimento, o desenvolvimento, a cura, a religião, a caridade o amor ao proximo, assim como o seu filho nos mostrou.
Não me deixe cair em tentação, não me permita ser a mão que traga o escandalo. Ao contrário, prefiro ainda assim sofrer tudo isso de novo a ser o motivo de sofrimento de alguém.

Hoje estou mais forte, mais feliz quem sabe... e por isso vou renascer.

UM PEDIDO EM ORAÇÃO

  Sabe Deus, hoje eu queria me abrir com você. É eu sei, de novo... mas eu sei que o senhor me ouve.  Sabe, nos últimos tempos as coisas tem...