Aquela era uma festa muito aguardada pela sociedade local.
Santine faria 18 anos.
Era costume da época apresentar a bela moça que entrara na juventude a todos da sociedade, principalmente aos moços solteiros, disponíveis e de boa família.
Todas as amigas de Santine estavam em êxtase com a expectativa do baile.
Naquela semana, a pequena cidade já estava um alvoroço. Mães com filhas a caminhar pelas lojas e bazares a compra de contas, cortes de tecidos franceses trazidos especialmente para a ocasião, luvas de seda, bordadas ou não, brincos, colares, e outros penduricalhos que tanto as agradava.
E os chapéus então! Ah! Os chapéus, finamente ornamentados. Uns com discrição e outros com grandes plumas chamando atenção de quem passasse por ele.
Mas Santine não estava feliz.
Até um ano atrás, este era o dia mais esperado de sua vida. Sabia desde pequena que seu baile de 18 anos seria o mais bonito, o mais disputado, o mais esperado mas hoje isso não importava mais.
Há aproximadamente dois anos, conhecera Rodolfo.
Um moço bonito, de olhos amendoados cor de mel, pele morena, dentes alvos e um corpo bem torneado.
Seu encontro com Rodolfo não foi propriamente um encontro, foi um acidente literalmente.
Santine voltava da escola distraída pela calçada, quando sentiu um baque, e viu seus livros de latim e francês voarem para o meio da rua, sentiu seu joelho bater no chão, e esquentar. Sentiu o sangue correr, quando se deu conta do ocorrido, estava sendo levantada por mãos fortes e quentes como nunca sentira.
Voltando a si, a primeira coisa que fez foi abrir a boca pra gritar, e gritou feito uma menininha mimada.
Rodolfo pediu para que ela parasse e perguntou se estava tudo bem, de uma maneira tão firme e delicada, que Santine se perdeu naquele som, que inebriou seus ouvidos e sua mente.
Ele pediu desculpas, disse que o freio da bicicleta não funcionou, e queria saber se ela realmente estava bem, se queria ver um médico, se conseguia andar, se realmente não havia se machucado.
Ele fez tantas perguntas que ela começou a rir sem parar, deixando Rodolfo com vergonha e confuso.
Quando percebeu, Santine corou. Mas aí foi Rodolfo que sorriu.
No minuto seguinte se apresentou, disse que se chamava Rodolfo, que trabalhava na farmácia, na rua ao lado e que estava atrasado.
Ela também se apresentou. Trocaram um olhar intenso, e se despediram.
Os dias seguiram, mas aquele tombo deixou marcas em Santine.
Ela passava todos os dias pelo mesmo caminho à espera de uma bicicleta desgovernada. Mas isso nunca mais aconteceu.
Ela precisava vê-lo novamente. Não sabia por que, mas não conseguia tirar Rodolfo da cabeça.
Será que ele tinha uma namorada?
Onde será que ele morava?
Quem eram os pais dele?
Poderia convidá-lo para ir à festa?
Vinha com estes pensamentos, e como que inconsciente virou na rua da farmácia.
Quando se deu conta já estava entrando. Não havia mais como voltar, disfarçou, cumprimentou seu Juvenal e inventou uma desculpinha. Pediu um preparado para a garganta, que não estava bem.
Seus olhos num segundo percorreram todo o ambiente atrás de Rodolfo e nada. Entristecida, agradeceu seu Juvenal e saiu, qual não foi sua surpresa, quando viu Rodolfo correndo em sua direção.
- Aconteceu alguma coisa? Esta tudo bem com você?
Ela corou.
Disse que sim, e que tinha vindo buscar um preparado para a garganta.
Rodolfo então, se despediu e ia saindo, quando virou-se para Santine e perguntou:
- Você tem namorado?
Santine quase caiu tamanha sua emoção.
Suas pernas tremiam tanto, que teve a impressão de um terremoto passando naquele segundo. Teve receio de Rodolfo perceber.
- Não. Não tenho.
E ele continuou.
- Desde aquele dia, não tiro você da cabeça. Podemos tomar um lanche qualquer dia destes?
Santine mais que depressa concordou. Mas explicou que seu pai era muito bravo e que teria de ser durante o dia, assim que saísse da escola.
Rodolfo pensou um pouco e concordou. Explicou que por causa do seu trabalho, teria um pouco de dificuldade, mas que isso não seria empecilho.
Passaram-se dias, e nenhuma noticia de Rodolfo.
Santine estava angustiada, pela espera. Mais de duas semanas e nada!
Ela chateou-se, mas não havia o que fazer, tocou sua vidinha como sempre.
Três meses depois, Santine vinha com livros nas mãos, bolsa nas costas e mais alguns papeis se equilibrando, quando avistou Rodolfo na porta da escola a sua espera. Teve vontade de largar tudo no chão e sair correndo, mas se conteve como uma dama deveria se portar, assim ensinara sua mãe.
Rodolfo se aproximou, beijou sua testa e pegou os livros que estavam em suas mãos e disse com toda simplicidade:
- Só hoje consegui uma folga pra tomarmos o lanche, me desculpe.
Saíram para a confeitaria mais próxima, sentaram-se, pediram o lanche, e começaram a conversar.
Falaram de tudo. Rodolfo falou de sua família humilde e trabalhadora. Disse que também estudava, mas com sacrifício, e que Seu Juvenal o ajudava como podia, pois como trabalhava com ele desde pequeno, e ele não tinha filhos, o auxiliava no custeio da faculdade.
Santine falou de sua família, contou que seu pai era um fazendeiro que criava gado na região, e que estudava por opção, pois seu pai dizia não ser necessário. Disse que seria a primeira mulher da família a entrar para a faculdade, e que isso estava lhe custando muitas brigas e desentendimentos, mas que era persistente e não ia desistir.
Falaram de tudo, e quando deram-se conta, a tarde ia caindo e a noite chegando de mansinho.
Prometeram se encontrar outras vezes.
Dali em diante, Rodolfo sempre procurava um jeito de lanchar com Santine, e esta por sua vez, sempre tinha algo a buscar a farmácia.
Seu Juvenal, senhor bondoso e bem vivido, aconselhou Rodolfo a não se empolgar tanto assim, visto que o pai de Santine era conhecido pela rigidez.
Mas quando o amor chega, não há quem o segure.
Santine já não conseguia mais esconder sua paixão. Não tinha mais fome, estava sempre com o pensamento em outro lugar, estava avoada.
Foi quando sua mãe a chamou para uma conversa perguntando quem era o rapaz.
Santine se assustou, não costumava falar destas coisas com sua mãe. Deve ter sido uma de suas amigas invejosas. Mas a mãe esclareceu que já vinha observando a algum tempo, que ela estava com um brilho diferente no olhar.
Diante disso, Santine resolveu contar pra mãe que a acolheu e disse não haver problemas quanto à condição de Rodolfo, que ele era um moço conhecido por seu esforço e honestidade, e que tinha certeza que seu pai não se oporia.
Rodolfo, num dia ensolarado, disse a Santine que não conseguia mais sustentar aquela situação e que queria namorar, pediu permissão para falar com o pai de Santine. Ela consultou sua mãe que preparou o terreno.
Rodolfo então foi jantar na casa de Santine para pedir sua mão em namoro, como era costume da época. Seu pai um homem severo, já havia feito uma investigação completa sobre Rodolfo, e viu que o rapaz merecia a oportunidade de estar com sua filha.
Então, desde esse dia começaram a namorar.
Santine e Rodolfo eram só felicidade. Bastava olhar para eles, para sentir irradiar a alegria.
Tudo estava caminhando bem, os estudos de Santine, a Faculdade de Rodolfo, o namoro, quando ela começa a perceber que ele esta um pouco triste.
Tenta saber o que esta acontecendo, porque ele esta assim?
Desconfia e pergunta se ele não gosta mais dela.
É aí que Rodolfo se abre conta que por causa de sua bolsa de estudo, deverá ficar um semestre fora da cidade, para finalizar o curso de farmácia em São Paulo.
Essa noticia gelou Santine. Faltavam 06 meses para o seu baile e eles já haviam combinado que Rodolfo dançaria com ela.
Mas os planos foram por água abaixo, pois, se Rodolfo não fosse pra SP, perderia a bolsa e não poderia concluir seus estudos. E voltar para o baile estava fora de cogitação, uma vez que era um gasto a mais em seu orçamento tão apertado.
Rodolfo avisou Santine que sua partida ocorreria dali três semanas e pediu para que ela o esperasse, pois assim que se formasse, começariam a ajeitar o casamento, e ele pediria sua mão a seus pais.
Santine chorou copiosamente. Mas não poderia impedir Rodolfo de finalizar seus estudos.
Três semanas depois acompanhou Rodolfo até a estação de trem e se despediu com uma dor em seu peito que não suportou.
Chegou em casa e se fechou no quarto não saindo de lá por dois dias.
A mãe preocupada, tentava alegra-la com os preparativos da festa.
Após três meses da partida de Rodolfo, a festa de Santine estava toda encaminhada. Mas nada a alegrava.
Na semana da festa, todos estavam alvoroçados, mas Santine continuava apática, se esforçava para agradar seus pais, mas não conseguia se sentir feliz numa festa onde Rodolfo não estaria.
Chegou o grande dia.
Na hora marcada, o salão estava impecável, os garçons, os maitres, todos a postos para a grande festa.
A decoração estava lindissima.
A mãe de Santine tomou o cuidado de convidar os pais de Rodolfo e suas duas irmãs, para que tudo saísse perfeito. Santine ficou satisfeita, mas não propriamente alegre.
Faltava Rodolfo.
Os convidados começaram a chegar. Cada um mais bem vestido que outro.
O salão repleto!!! Pessoas se movimentando pra lá e pra cá.
Canapés, vinhos, destilados, salgados dos mais variados, tudo estava de extremo bom gosto.
As amigas tentavam alegrar Santine, mas não conseguiam.
Ela escolhera com Rodolfo o corte de tecido que seu vestido fora confeccionado. Verde água era a cor preferida dele.
O tempo passa e a hora mais dolorida para Santine estava chegando: a dança!
Ela havia ensaiado tudo com Rodolfo e agora seria como todas as outras, dançaria com seu pai.
Não que não gostasse, mas era Rodolfo quem queria.
Anunciaram a dança, ela estava a um canto, virada para a parede conversando com as amigas, quando foi chamada a se colocar no centro do salão com seu pai.
Uma roda formou-se a sua volta para que todos pudessem contemplar a dança.
A musica começa. Ela lembra de Rodolfo, havia trocado a musica, pois não queria que sua dor fosse maior.
Seu pai com orgulho a tomou nos braços, e começou a girar.
Não se passou um minuto e a musica que ela havia escolhido com Rodolfo começou a tocar. Ela imediatamente reclamou com seu pai, que não era este o combinado.
Seu pai nem lhe deu atenção e foi girando... Os olhos de Santine encheram-se de lágrimas. Pediu para parar, mas seu pai estava estranho, não lhe ouviu, não ligou pra sua tristeza...
Sem que Santine percebesse, seu pai a levou rodopiando a um canto do salão. Quando chegou, as pessoas saíram da frente e deixaram Rodolfo passar.
Ele estava lindo, no fraque escolhido por Santine para aquela ocasião.
Sem entender nada, santine paralisou.
Seu pai então, lhe disse: Feliz aniversário minha filha. ! E passou-a para os braços de Rodolfo.
Ele carregava nas mãos uma rosa vermelha com um lindo anel de brilhantes na ponta e disse:
- Santine, você aceita casar-se comigo?
Desde este dia, nunca mais se desgrudaram.
Hoje, Rodolfo toma conta da sua rede de farmácias, Santine esta terminando sua faculdade de comunicação, e já esta na terceira gravidez.
Quem disse que a vida tem de ser diferente de um conto de fadas??
Patricia Pereira
15/05/2008
"blogpatriciarp" Pensamentos, sensações, sentimentos, impressões... Se gostou ou não.... Deixe um comentário.
15 de mai. de 2008
13 de mai. de 2008
Invasão
Hoje você apareceu de novo invadindo minha mente sem piedade.
Chegou, chutou a porta e entrou.
Nem pediu licença!
Meu coração estava todo dolorido, todo machucado, mas você sem compaixão, se alojou.
Abriu a porta com tal violência que não deu nem tempo de perceber que eu não te queria ali.
Que falta de jeito!
Quando tento acertar as coisas, vejo você lá, tomando conta de todo espaço que consegue, inclusive daqueles que passavam por uma reforma delicada.
Invadiu minha vida e minha mente sem cuidado.
Chegou completamente sem jeito e se instalou.
Tenho feito de tudo pra que você não bagunce mais o que está sendo arrumado.
Tome cuidado com as reformas, com as partes sensíveis e com aquele cantinho que é o mais secreto e que cuido com o maior zelo.
Tenha cuidado com o seu olhar, com seu gesto, com seu cheiro, com seu jeito, com seu peito.
Cuide deste espaço como se fosse seu, como se ele já te pertencesse de verdade.
E se for embora, assim como chegou, tenha a delicadeza de deixar tudo como encontrou.
Patricia Pereira
13/05/2008
Chegou, chutou a porta e entrou.
Nem pediu licença!
Meu coração estava todo dolorido, todo machucado, mas você sem compaixão, se alojou.
Abriu a porta com tal violência que não deu nem tempo de perceber que eu não te queria ali.
Que falta de jeito!
Quando tento acertar as coisas, vejo você lá, tomando conta de todo espaço que consegue, inclusive daqueles que passavam por uma reforma delicada.
Invadiu minha vida e minha mente sem cuidado.
Chegou completamente sem jeito e se instalou.
Tenho feito de tudo pra que você não bagunce mais o que está sendo arrumado.
Tome cuidado com as reformas, com as partes sensíveis e com aquele cantinho que é o mais secreto e que cuido com o maior zelo.
Tenha cuidado com o seu olhar, com seu gesto, com seu cheiro, com seu jeito, com seu peito.
Cuide deste espaço como se fosse seu, como se ele já te pertencesse de verdade.
E se for embora, assim como chegou, tenha a delicadeza de deixar tudo como encontrou.
Patricia Pereira
13/05/2008
11 de mai. de 2008
1º Conto: O sonho de Juliana
Juliana despertou sem saber onde estava.
Olhou a sua volta, e tentou reconhecer o espaço, os móveis, e percebeu que tudo não passara de um sonho.
Estava em seu quarto, como todos os dias.
Sua esperança, no minuto seguinte, era que realmente não estivesse ali.
Sua vida tem sido uma monotonia só.
Sentou-se na cama, acendeu o abajour, e olhou pra cortina nova que tinha colocado na janela. Realmente ela cumpria seu papel, não deixava uma fresta de sol passar!
Espreguiçou, afastou o edredon colorido e levantou-se.
Era mais um dia, mais uma rotina, mais uma chateação.
Foi até o banheiro, ligou o chuveiro, deixou a água correr para esquentar bastante. Pegou a escova de dente, a pasta, o xampu e entrou.
Deixou a água quente cair sobre seu corpo, e aquela sensação fez com que seus pensamentos voassem.
Já havia dois anos e meio que estava sozinha. Porque será? Ela se perguntava. Sua terapeuta dizia que talvez ela precisasse prestar mais atenção às pessoas a sua volta, mas por mais que se esforçasse não via ninguém.
Passou xampu, lavou os cabelos cacheados, enxaguou, passou o condicionador, passou o sabonete pelo corpo, escovou os dentes, retirou o condicionador, e saiu do chuveiro.
Aquele sonho ainda em sua mente.
Como queria que pelo menos parte daquilo se tornasse real!
Foi até o guarda roupa, pegou a primeira calça e a primeira blusa que viu, abriu a gaveta e vestiu a primeira lingerie que viu , olhou no espelho e se achou sexy.
Sem perceber, pegou o conjuntinho preto que mais valorizava seu corpo, e decidiu que merecia aquilo!
Vestiu a calça a blusa o sapato, secou os cabelos, passou o rimel, a sombra iluminadora, o baton hidratante, e se olhou no espelho.
Sentiu-se bonita, e lembrou do sonho.
Mas logo, logo sua razão a trouxe de volta como sempre fazia: - Juliana, isso foi só um sonho, repetiu para si.
Saiu ainda meio inebriada com aquelas visões, foi até o estacionamento, pegou o carro, e partiu.
Tinha resolvido tomar café naquela padaria lindíssima próximo ao seu trabalho, pois hoje merecia também um bom café!
Enfrentou o trânsito de São Paulo meio anestesiada, chegou uma hora depois. Entrou na padaria, sentou-se, puxou o livro que estava lendo e não olhou nem para o balcão com as guloseimas que mais gostava.
Pediu um capuccino, um pão com manteiga e uma água.
Abriu seu livro, mas as letras não faziam sentido naquela manhã, então lembrou-se da terapeuta: Olhe pros lados!
Resolveu aceitar o desafio.
Começou a prestar atenção a cada pessoa dentro daquele lugar. Todos pareciam tão felizes e com a vida tão equilibrada, que ela começou a se entristecer.
Mas aquele exercício de observação também tinha haver com o sonho... continuou.
Depois de 20 minutos, percebeu que tudo o que estava imaginando sobre aquelas pessoas, era o que ela gostaria de ter em sua própria vida.
De novo a terapeuta apareceu em sua mente: - Juliana, lembre-se que projetamos o que queremos lá fora... - Ai terapeuta! Sai de mim!
Pegou o livro colocou na bolsa, pegou o casaco e foi em direção ao caixa tão distraída que não percebeu Rodrigo vindo em sua direção, com a mesma distração...
Uma trombada!
Sua bolsa e casaco caíram, Rodrigo derramou todo café em si mesmo, sua roupa, uma calça social e uma camisa bem passada, ficaram praticamente ensopados.
A primeira reação de Juliana foi xingar: - Olha por onde anda!
Mas quando seus olhos encontraram os dele, ela calou-se e teve certeza. Era ele!
Não soube explicar. Mas o sonho voltou com tudo. Era ele!
Como podia ser?
Rodrigo também abriu a boca pra falar, e também calou-se.
Ficaram ali, olhando um para o outro sem conseguir sair do lugar.
De repente foram trazidos para a realidade, pelas vozes que ouviam ao longe quando se deram conta de onde estavam.
Ajudaram-se e saíram do caminho.
Falaram juntos: - É você!
Sem entender muito bem o que estava acontecendo Juliana ofereceu-se para ajudar Rodrigo a se enxugar do café derramado.
Não falaram uma palavra mais.
Sabiam o porquê de estarem ali naquele momento, daquele jeito, num encontro tão por acaso.
Mais uma vez se olharam nos olhos e foi Juliana quem tomou coragem: - Eu te conheço.
E Rodrigo imediatamente completou.
– Você é a mulher que apareceu no meu sonho desta noite. Foi por isso que estava tão distraído. Hoje desde que acordei você está em minha mente. Estou meio confuso com isso.
Juliana tentou achar o que dizer, mas nada saiu apenas uma lagrima rolou...
Não tinha explicação. O que estava acontecendo? Porque a vida estava lhe pregando esta peça? Sua razão não a deixava em paz.
Foi Rodrigo dessa vez quem quebrou o silencio.
- Eu sei seu nome...
Saíram juntos sem dizer nada, sem nenhum comentário.
Sabiam que a partir daquele momento nunca mais se largariam, sabiam que os sonhos que cada um teve naquela noite, se completavam, e isso bastava.
Patricia Pereira
11/05/2008
Olhou a sua volta, e tentou reconhecer o espaço, os móveis, e percebeu que tudo não passara de um sonho.
Estava em seu quarto, como todos os dias.
Sua esperança, no minuto seguinte, era que realmente não estivesse ali.
Sua vida tem sido uma monotonia só.
Sentou-se na cama, acendeu o abajour, e olhou pra cortina nova que tinha colocado na janela. Realmente ela cumpria seu papel, não deixava uma fresta de sol passar!
Espreguiçou, afastou o edredon colorido e levantou-se.
Era mais um dia, mais uma rotina, mais uma chateação.
Foi até o banheiro, ligou o chuveiro, deixou a água correr para esquentar bastante. Pegou a escova de dente, a pasta, o xampu e entrou.
Deixou a água quente cair sobre seu corpo, e aquela sensação fez com que seus pensamentos voassem.
Já havia dois anos e meio que estava sozinha. Porque será? Ela se perguntava. Sua terapeuta dizia que talvez ela precisasse prestar mais atenção às pessoas a sua volta, mas por mais que se esforçasse não via ninguém.
Passou xampu, lavou os cabelos cacheados, enxaguou, passou o condicionador, passou o sabonete pelo corpo, escovou os dentes, retirou o condicionador, e saiu do chuveiro.
Aquele sonho ainda em sua mente.
Como queria que pelo menos parte daquilo se tornasse real!
Foi até o guarda roupa, pegou a primeira calça e a primeira blusa que viu, abriu a gaveta e vestiu a primeira lingerie que viu , olhou no espelho e se achou sexy.
Sem perceber, pegou o conjuntinho preto que mais valorizava seu corpo, e decidiu que merecia aquilo!
Vestiu a calça a blusa o sapato, secou os cabelos, passou o rimel, a sombra iluminadora, o baton hidratante, e se olhou no espelho.
Sentiu-se bonita, e lembrou do sonho.
Mas logo, logo sua razão a trouxe de volta como sempre fazia: - Juliana, isso foi só um sonho, repetiu para si.
Saiu ainda meio inebriada com aquelas visões, foi até o estacionamento, pegou o carro, e partiu.
Tinha resolvido tomar café naquela padaria lindíssima próximo ao seu trabalho, pois hoje merecia também um bom café!
Enfrentou o trânsito de São Paulo meio anestesiada, chegou uma hora depois. Entrou na padaria, sentou-se, puxou o livro que estava lendo e não olhou nem para o balcão com as guloseimas que mais gostava.
Pediu um capuccino, um pão com manteiga e uma água.
Abriu seu livro, mas as letras não faziam sentido naquela manhã, então lembrou-se da terapeuta: Olhe pros lados!
Resolveu aceitar o desafio.
Começou a prestar atenção a cada pessoa dentro daquele lugar. Todos pareciam tão felizes e com a vida tão equilibrada, que ela começou a se entristecer.
Mas aquele exercício de observação também tinha haver com o sonho... continuou.
Depois de 20 minutos, percebeu que tudo o que estava imaginando sobre aquelas pessoas, era o que ela gostaria de ter em sua própria vida.
De novo a terapeuta apareceu em sua mente: - Juliana, lembre-se que projetamos o que queremos lá fora... - Ai terapeuta! Sai de mim!
Pegou o livro colocou na bolsa, pegou o casaco e foi em direção ao caixa tão distraída que não percebeu Rodrigo vindo em sua direção, com a mesma distração...
Uma trombada!
Sua bolsa e casaco caíram, Rodrigo derramou todo café em si mesmo, sua roupa, uma calça social e uma camisa bem passada, ficaram praticamente ensopados.
A primeira reação de Juliana foi xingar: - Olha por onde anda!
Mas quando seus olhos encontraram os dele, ela calou-se e teve certeza. Era ele!
Não soube explicar. Mas o sonho voltou com tudo. Era ele!
Como podia ser?
Rodrigo também abriu a boca pra falar, e também calou-se.
Ficaram ali, olhando um para o outro sem conseguir sair do lugar.
De repente foram trazidos para a realidade, pelas vozes que ouviam ao longe quando se deram conta de onde estavam.
Ajudaram-se e saíram do caminho.
Falaram juntos: - É você!
Sem entender muito bem o que estava acontecendo Juliana ofereceu-se para ajudar Rodrigo a se enxugar do café derramado.
Não falaram uma palavra mais.
Sabiam o porquê de estarem ali naquele momento, daquele jeito, num encontro tão por acaso.
Mais uma vez se olharam nos olhos e foi Juliana quem tomou coragem: - Eu te conheço.
E Rodrigo imediatamente completou.
– Você é a mulher que apareceu no meu sonho desta noite. Foi por isso que estava tão distraído. Hoje desde que acordei você está em minha mente. Estou meio confuso com isso.
Juliana tentou achar o que dizer, mas nada saiu apenas uma lagrima rolou...
Não tinha explicação. O que estava acontecendo? Porque a vida estava lhe pregando esta peça? Sua razão não a deixava em paz.
Foi Rodrigo dessa vez quem quebrou o silencio.
- Eu sei seu nome...
Saíram juntos sem dizer nada, sem nenhum comentário.
Sabiam que a partir daquele momento nunca mais se largariam, sabiam que os sonhos que cada um teve naquela noite, se completavam, e isso bastava.
Patricia Pereira
11/05/2008
Choramos...
É minha amiga...
Sua existência me faz mais terna.
Sua presença me dá alento ao coração.
Saber que posso contar contigo me faz mais forte.
Você foi quem me pegou no colo nos momentos de pleno desespero...
Foi você que segurou minhas mãos nos momentos mais doloridos...
Foi você que enxugou as minhas lágrimas quando elas rolaram sem pudor.
Foi você que apareceu na minha frente, me guiando, quando eu não sabia por onde andar.
Era você que meus olhos procuravam quando a dor em meu peito gritava sem piedade.
É em você que me busco, quando estou perdida de mim mesma.
Você apareceu na minha vida para me inspirar a ser uma pessoa melhor.
Sua simplicidade, seu jeito meigo, seu coração enorme, me dão o exemplo a ser seguido.
Mas agora é seu coração que precisa de mim...
Queria ser pra você tudo o que foi pra mim.
Queria poder ter um colo tão grande quanto ao seu.
Queria ter mãos fortes pra te guiar.
Queria enxugar tuas lágrimas, como as minhas foram enxugadas por ti.
Queria ter o caminho pra te guiar, ser quem teus olhos procuram no desespero e ter pelo menos uma das tuas qualidades pra servir de exemplo também.
Mas hoje, como me encontro, posso te oferecer meus ombros, meu silencio pra te ouvir, minha gratidão, meus olhos pra chorar...
Patricia Pereira
07/05/2008
Sua existência me faz mais terna.
Sua presença me dá alento ao coração.
Saber que posso contar contigo me faz mais forte.
Você foi quem me pegou no colo nos momentos de pleno desespero...
Foi você que segurou minhas mãos nos momentos mais doloridos...
Foi você que enxugou as minhas lágrimas quando elas rolaram sem pudor.
Foi você que apareceu na minha frente, me guiando, quando eu não sabia por onde andar.
Era você que meus olhos procuravam quando a dor em meu peito gritava sem piedade.
É em você que me busco, quando estou perdida de mim mesma.
Você apareceu na minha vida para me inspirar a ser uma pessoa melhor.
Sua simplicidade, seu jeito meigo, seu coração enorme, me dão o exemplo a ser seguido.
Mas agora é seu coração que precisa de mim...
Queria ser pra você tudo o que foi pra mim.
Queria poder ter um colo tão grande quanto ao seu.
Queria ter mãos fortes pra te guiar.
Queria enxugar tuas lágrimas, como as minhas foram enxugadas por ti.
Queria ter o caminho pra te guiar, ser quem teus olhos procuram no desespero e ter pelo menos uma das tuas qualidades pra servir de exemplo também.
Mas hoje, como me encontro, posso te oferecer meus ombros, meu silencio pra te ouvir, minha gratidão, meus olhos pra chorar...
Patricia Pereira
07/05/2008
6 de mai. de 2008
Tenho uma lagrima nos olhos
Tenho uma lágrima nos olhos
Ela fica ali, quieta, só esperando a hora de se jogar.
E não precisa muito convencimento.
Ela vai por uma alegria, por uma tristeza, por uma decepção, por uma emoção mais forte.
Tenho uma lagrima nos olhos
Todos os dias ela vem a porta, olha, percebe o que sinto e decide.
Às vezes não consigo segurá-la, as vezes a convenço ficar.
Não é ruim ter lágrimas nos olhos
Elas dão brilho ao olhar,
Espelham a alma.
Elas aliviam a dor, expressam alegria, mostra a saudade, deixam explicitas as nossas verdadeiras emoções.
Hoje, várias delas saltaram. Deixei.
Rolaram na minha face sem piedade
Rolaram de um jeito que, apenas quem sente com a intensidade que que sinto, entenderá como era impossível impedi-las.
Foram-se .
Sempre imagino que as lágrimas levam as dores de minha alma.
Como a me auxiliarem na recuperação de mim mesma
Como se cada uma delas, fosse um pedacinho dessa intensidade que vive em mim
E que ao rolarem na minha face lavam minhas emoções e me deixam mais leve
Cada hora elas tomam uma forma.
Uma hora estão vestidas de mágoa, noutra vem vestidas de tristeza, noutra vem alagada de alivio, mas noutras horas são apenas lágrimas...
Tenho uma lágrima nos olhos...
Patricia Pereira
06/05/2008 revisitado em 02/11/018
Ela fica ali, quieta, só esperando a hora de se jogar.
E não precisa muito convencimento.
Ela vai por uma alegria, por uma tristeza, por uma decepção, por uma emoção mais forte.
Tenho uma lagrima nos olhos
Todos os dias ela vem a porta, olha, percebe o que sinto e decide.
Às vezes não consigo segurá-la, as vezes a convenço ficar.
Não é ruim ter lágrimas nos olhos
Elas dão brilho ao olhar,
Espelham a alma.
Elas aliviam a dor, expressam alegria, mostra a saudade, deixam explicitas as nossas verdadeiras emoções.
Hoje, várias delas saltaram. Deixei.
Rolaram na minha face sem piedade
Rolaram de um jeito que, apenas quem sente com a intensidade que que sinto, entenderá como era impossível impedi-las.
Foram-se .
Sempre imagino que as lágrimas levam as dores de minha alma.
Como a me auxiliarem na recuperação de mim mesma
Como se cada uma delas, fosse um pedacinho dessa intensidade que vive em mim
E que ao rolarem na minha face lavam minhas emoções e me deixam mais leve
Cada hora elas tomam uma forma.
Uma hora estão vestidas de mágoa, noutra vem vestidas de tristeza, noutra vem alagada de alivio, mas noutras horas são apenas lágrimas...
Tenho uma lágrima nos olhos...
Patricia Pereira
06/05/2008 revisitado em 02/11/018
Escrevo...
Escrevo... não pra ti, nem por ti
Mas por mim...
Escrevo pra que as idéias se organizem
Escrevo para que os sentimentos achem os seus lugares dentro de mim
Para que cada um ocupe o espaço que lhe cabe... sem bagunça, sem precipitação, sem atropelos
Escrevo pra me mostrar como nunca fiz...
Escrevo pra dividir, compartilhar e entregar o que tenho de melhor ao mundo: as minhas idéias, os meus pensamentos, os meus desejos...
Escrevo pra exercitar a exposição
Escrevo pra me desnudar
E desnudando, me coloco em xeque
E em xeque, me reavalio,
Me reavaliando, me angustio
Me angustiando, me procuro,
Me procurando, me perco
Me perdendo, enlouqueço
Enlouquecendo, escrevo
Escrevendo... me alivio...
Patricia Pereira
06/05/2008
Mas por mim...
Escrevo pra que as idéias se organizem
Escrevo para que os sentimentos achem os seus lugares dentro de mim
Para que cada um ocupe o espaço que lhe cabe... sem bagunça, sem precipitação, sem atropelos
Escrevo pra me mostrar como nunca fiz...
Escrevo pra dividir, compartilhar e entregar o que tenho de melhor ao mundo: as minhas idéias, os meus pensamentos, os meus desejos...
Escrevo pra exercitar a exposição
Escrevo pra me desnudar
E desnudando, me coloco em xeque
E em xeque, me reavalio,
Me reavaliando, me angustio
Me angustiando, me procuro,
Me procurando, me perco
Me perdendo, enlouqueço
Enlouquecendo, escrevo
Escrevendo... me alivio...
Patricia Pereira
06/05/2008
4 de mai. de 2008
A Espera
Quero te olhar nos olhos
Ainda que sejam só os meus nos teus.
Quero sentir o teu cheiro penetrando em mim
Me inebriando até que eu não saiba mais quem sou
Quero sua pele encostada na minha, me fazendo tremer no calor, e suar no frio
Quero continuar com aquele frio na barriga.
Quero que você, por alguns instantes, ainda que não registre em sua mente, perceba tudo o que sinto e que não tem nome, mas esta aqui, ardendo.
Quero que você compartilhe de toda essa sensação e enlouqueça.
Enlouqueça a tal ponto, que não saiba mais o seu nome.
Enlouqueça de forma que não possa mais me tirar de seus pensamentos.
Porque nesta hora, terá um pouco de mim em você, e entenderá tudo o que hoje és na minha vida..
E neste dia, esperarei ansiosa pelos teus beijos, como nunca deixei de estar
Patricia Pereira
04/05/2008 revisitado em 02/11/2018
Ainda que sejam só os meus nos teus.
Quero sentir o teu cheiro penetrando em mim
Me inebriando até que eu não saiba mais quem sou
Quero sua pele encostada na minha, me fazendo tremer no calor, e suar no frio
Quero continuar com aquele frio na barriga.
Quero que você, por alguns instantes, ainda que não registre em sua mente, perceba tudo o que sinto e que não tem nome, mas esta aqui, ardendo.
Quero que você compartilhe de toda essa sensação e enlouqueça.
Enlouqueça a tal ponto, que não saiba mais o seu nome.
Enlouqueça de forma que não possa mais me tirar de seus pensamentos.
Porque nesta hora, terá um pouco de mim em você, e entenderá tudo o que hoje és na minha vida..
E neste dia, esperarei ansiosa pelos teus beijos, como nunca deixei de estar
Patricia Pereira
04/05/2008 revisitado em 02/11/2018
2 de mai. de 2008
Quero
Quero confetes!
Quero que você me diga o quanto sou boa, o quanto sou interessante e o quanto você me quer
Quero atenção.
Quero que você me olhe como nunca olhou ninguém.
Quero que você me deseje com o mais profundo do seu ser.
Quero liberdade
Quero que você me liberte dessa dor, desse incomodo, desse marasmo, dessa intensidade dolorida
Quero paz
Quero que seja você o anjo que trará alento para minha existência
Quero que seja você quem velará por mim nas noites escuras.
Quero que seja você que me mostrará os motivos pelos quais vivo.
Quero que seja você que me dará a segurança que tanto preciso.
Quero que seja você que me mostrará como é importante ter com quem se preocupar.
Quero que seja você quem se preocupe comigo também.
Quero tudo o que quero, simplesmente por não ter mais nem o que querer de verdade.
Patricia Pereira
02/05/2008 revisitado em 02/11/2018
Quero que você me diga o quanto sou boa, o quanto sou interessante e o quanto você me quer
Quero atenção.
Quero que você me olhe como nunca olhou ninguém.
Quero que você me deseje com o mais profundo do seu ser.
Quero liberdade
Quero que você me liberte dessa dor, desse incomodo, desse marasmo, dessa intensidade dolorida
Quero paz
Quero que seja você o anjo que trará alento para minha existência
Quero que seja você quem velará por mim nas noites escuras.
Quero que seja você que me mostrará os motivos pelos quais vivo.
Quero que seja você que me dará a segurança que tanto preciso.
Quero que seja você que me mostrará como é importante ter com quem se preocupar.
Quero que seja você quem se preocupe comigo também.
Quero tudo o que quero, simplesmente por não ter mais nem o que querer de verdade.
Patricia Pereira
02/05/2008 revisitado em 02/11/2018
1 de mai. de 2008
Chega!
Chega!
Não quero mais!
Não quero mais a sua presença na minha mente!
Não quero mais a sua imagem nos meus olhos!
Não quero mais o desejo de te encontrar!
Não quero mais esse misto de sensações que você me causa!
Uma mistura de prazer e dor, de esperança e desilusão!
Não quero mais a sua voz no meu ouvido sussurrando.
Não quero mais o seu corpo bailando na minha frente com aquela sensualidade que toca o mais profundo do meu imaginário.
Não quero mais buscar ilusões onde não há nada de concreto.
Não há nada que possa justificar qualquer coisa que eu venha pensar, sentir ou desejar.
Não há nada que justifique essa necessidade de contato, visual, virtual ou imaginário.
Não há nenhum sinal. Tudo o que vem de você é abstrato.
Mas como explicar essa intensidade?
As inspirações são assim mesmo!
Uma escolha inconsciente, uma escolha sem juízo, uma escolha sem escolha...
Então, me desculpe!!!
Não consigo deixar de querer tudo o que disse que não quero.
Vou continuar com você na minha mente, nos meus olhos, nos meus desejos, nas sensações que me causa, na doçura de sua voz, na sensualidade da sua dança, e nas ilusões descabidas.
Vou continuar me inspirando em você, não porque eu queira, não por escolha. Eu não tenho controle sobre isso!
Mas vou me inspirar em você até que esta inspiração se vá como a brisa que passa.
Até que esta intensidade diminua, ou até que minha dor seja tão intensa a ponto de me trazer os pés no chão.
E só os pés no chão limitam a poesia e as ilusões...
Patricia Pereira
01/05/2008 revisitado em Nov/2018
Não quero mais!
Não quero mais a sua presença na minha mente!
Não quero mais a sua imagem nos meus olhos!
Não quero mais o desejo de te encontrar!
Não quero mais esse misto de sensações que você me causa!
Uma mistura de prazer e dor, de esperança e desilusão!
Não quero mais a sua voz no meu ouvido sussurrando.
Não quero mais o seu corpo bailando na minha frente com aquela sensualidade que toca o mais profundo do meu imaginário.
Não quero mais buscar ilusões onde não há nada de concreto.
Não há nada que possa justificar qualquer coisa que eu venha pensar, sentir ou desejar.
Não há nada que justifique essa necessidade de contato, visual, virtual ou imaginário.
Não há nenhum sinal. Tudo o que vem de você é abstrato.
Mas como explicar essa intensidade?
As inspirações são assim mesmo!
Uma escolha inconsciente, uma escolha sem juízo, uma escolha sem escolha...
Então, me desculpe!!!
Não consigo deixar de querer tudo o que disse que não quero.
Vou continuar com você na minha mente, nos meus olhos, nos meus desejos, nas sensações que me causa, na doçura de sua voz, na sensualidade da sua dança, e nas ilusões descabidas.
Vou continuar me inspirando em você, não porque eu queira, não por escolha. Eu não tenho controle sobre isso!
Mas vou me inspirar em você até que esta inspiração se vá como a brisa que passa.
Até que esta intensidade diminua, ou até que minha dor seja tão intensa a ponto de me trazer os pés no chão.
E só os pés no chão limitam a poesia e as ilusões...
Patricia Pereira
01/05/2008 revisitado em Nov/2018
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