10 de jun. de 2008

Desbotado

Hoje as coisas estão com um colorido diferente.
Me parecem mais desbotadas.
Mas não sem cor... talvez passemos por momentos tão complicados que o simples fato de resistirmos, nos tira a força para que vejamos até a intensidade das cores.
Meu mundo não é mais o mesmo, ele está diferente.
Tento me encontrar nas coisas que eu tinha, mas elas já não estão mais lá.
Tento buscar referencias nas experiências e nas lembranças passadas, mas elas também foram transformadas.
Nada é como antes.
Tudo o que eu esperava da vida, tudo o que eu imaginei ser, ter, encontrar, não é, não foi e não será.
Este momento de transformação é aterrorizante.
Não vejo o horizonte, não consigo prever pra onde minha vida vai caminhar.
A única coisa que me resta, é me jogar, me lançar, sem pensar.
Estou na busca constante de mim mesma, das minhas referencias, do meu eu, do que sou, do que tenho, do que posso ou não compartilhar com o mundo, do que tenho a oferecer de bom a alguém.
Isso tudo se perdeu neste turbilhão.
E nesta busca desenfreada, me perco.
E aí o medo aparece, manso, sorrateiro e vai tomando conta de mim.
Me desespero e grito um grito surdo: Cadê eu?
Medo!
De que?
Da vida
Porque?
Não sei.
Tenho medo da forma que ela vai tomar, mas tenho mais medo ainda, porque sou eu quem vai dar este contorno nesta coisa amorfa que hoje se faz presente.
Sou eu quem decidirá o que fazer. Esta tudo em minhas mãos.
E elas estão frágeis.

Patricia Pereira
Maio/2008

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