1 de jun. de 2010

APRENDIZADO



Anos de convivencia.
O resultado disso muitas vezes, é a perda de nós mesmos quando nos relacionamos por um longo tempo com alguém.
E se a relação acaba, necessitamos recuperar-nos e descobrir-nos novamente em um espaço de tempo relativamente curto.
Estando nesta situação, é dificil demais admitirmos que fizemos a besteira e o desparate de nos perdermos de nós mesmos.
Mas essa perda e essa transformação não ocorre conscientemente. Tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer, é sempre em prol da relação, por acreditarmos que esta é a melhor forma e o melhor jeito de fazer com que ela seja eterna.
Numa longa convivencia é mais do que natural que façamos concessões e imponhamos limites, e que isso ocorra tb com a parte contrária.
Passado tanto tempo de convivencia, é natural que estejamos misturados um ao outro, e que numa ruptura brusca e cruel, parte do que tinhamos de nós mesmos, e que de certa forma era preenchido e composto pelas partes daquele outro, se desfaça e se perca, perdendo assim, parte de nós. Por isso temos a sensação que ficamos pela metade.
Não estou falando aqui de uma perda de essencia e personalidade. Não! Até pq teriamos que tratar isso como um assunto num campo da doença.
Falo aqui de uma mudança de comportamento natural daqueles que se relacionam.
Quando uma parte deste conjunto resolve partir, fica-se de certa forma mutilado, porque esta parte era composta de vc e do outro, ou seja, "NÓS".
Um dia para que o "NÓS" existisse, foi preciso que eu e vc contribuíssemos com um pedacinho que a medida em que o tempo passava, ia ficando maior, pq nos comprometemos e nos entregamos mais. É natural. A intimidade aumenta, a cumplicidade aumenta, a confiança aumenta...
Pois quando estamos numa relação, e queremos que ela dê certo, não ficamos alheios, distantes, paralisados, imunes. ao contrário, passamos a contribuir com o que é nosso, fazendo uma construção onde vc coloca um tijolo, eu a massa, no outro dia, vc coloca a massa e eu o tijolo, e assim, esta construção vai tomando forma.
Quando "a casa cai" literalmente, e por qualquer motivo que seja, uma das partes sempre sai com o prejuizo maior.
Nunca é igual para os dois lados!!! Nunca.
E assim, aquele que ficou pra limpar os entulhos da construção que desmoronou, acaba por não mais se reconhecer naquele espaço, pois a metade que ficou composta só do EU é estranha.
Pois, tudo na sua vida até aquele momento tinha par, e de uma hora pra outra fica ímpar. Neste contexto, reconhecer o EU é muito mais dificil do que parece.
Por um periodo, até você se localizar no meio dos entulhos, você fica de alguma forma buscando uma metade perdida, mas o que vc encontra nunca se encaixa. Isso pode ser em cursos, trabalho, amigos ou até mesmo outra pessoa... mesmo assim, algo fica faltando. Essa outra coisa não se encaixa de jeito algum. Fica tudo torto, estranho, pequeno ou grande demais.
Aí, depois de muito doer, necessitamos aprender e esperar.
Aceitar, observar, analisar, fazer a limpeza, expurgar.
E esperar.
O tempo sempre é o melhor remédio.
Pode parecer chavão, frase feita, mas é real.
Sendo assim, enquanto vc limpa os cacos, a poeira, arruma as coisas impares nos lugares devidos, vai se percebendo e se encontrando.
Um dia, de repente, vc se lembra do que gostava, do que pensava, do que não pensa mais, dos seus valores, da sua educação, dos seus principios, e ainda que eles pareçam estranhos, aos poucos eles vão tomando força e forma e te ajudam a ficar em pé.
Vc vai se sentindo mais confiante por pensar e agir por sua propria ideia e pensamento, sozinha, muitas vezes, diferente de todo mundo, e não se importa nenhum pouco de ser assim.
E uma hora, se sente tão forte, que mesmo um, ou dois foras, ao invés de te derrubarem como antes, são a força que te movem e te mostram quem você é realmente.
Neste momento a força que brota em você é tamanha.
Mas é preciso paciencia, é preciso paciencia, e é preciso paciencia.

Patricia Pereira
31/05/2010

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