
Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face...
Sim eu roubei a frase de Jacob Levi Moreno pra começar a dizer o que preciso.
Sim, foi um encontro. Um reencontro.
Isso ficou claro pra mim depois do primeiro contato...
Não sei quem é, não sei o que pensa, não sei o que sente, não sei o que quer, não sei o que precisa, não sei absolutamente nada.
Nunca vi, nunca toquei, só senti...
O que sei apenas é que insistentemente me pertuba. Me perturba tanto, que nao sei como agir, não sei pra onde ir, não sei como fugir.
Aparece em meus sonhos, em meus desejos, em meus devaneios.
Chega sorrateiro, e vai fazendo bagunça por onde passa. Começa nos olhos... deixa tudo embaçado... confuso... Depois passa pelas orelhas... diz coisas absurdas, que me tiram o sentido. Seu timbre é simplesmente deslumbrante. Depois só pra me deixar apavorada, desce aos meus pés.
Faz cena... se joga, pede pra nunca mais deixa-lo... e eu atônita, continuo sem reação. Depois, com suas mãos, massageia minhas pernas, numa delicadeza e suavidade que não sei descrever... Passa as mãos pela minha cintura, sobe minhas costas, e me abraça com tanto afeto que nunca mais quero sair dali.
Depois, chega a minha boca. E eu por longos minutos fico sem respirar. Me perco de mim... uma sensação forte me invade... sou incapaz de qualquer gesto, a unica coisa que balbucio, é ... nunca mais se va pra longe de mim... não me deixe aqui de novo... e ele entoa um cantico que me inebria...
Depois assim como chegou, se vai. Me deixa solitária novamente e esperando a sua proxima visita.
Não vejo a hora de adormecer para a sua chegada.. mas nem sempre ele vem...
Não sei seu rosto... mas quando me toca o reconheço imediatamente.
Vive por aqui... por ali... chega perto, some de novo... faz isso só pra me enlouquecer...
E é assim que continuo a sua espera, toda noite.... a cada cochilada... a cada minuto... acordada ou não...
E assim estou, até que ele também me reconheça. Será que vai demorar?
Patricia Pereira
12/10/2010
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