21 de jan. de 2013

DEPOIS DO FURACÃO

Depois do furacão o que sobra?
 Estava hoje numa manhã reflexiva.
Em meio a tantos papeis a organizar, entre tantas atividades do dia a dia, aquilo não me saia da cabeça.
O que sobra depois de um furacão?
Bom, os mais práticos falariam, depende do tamanho do furacão.
Verdade, mas o que sobra?
Imediatamente, como é meu costume, comecei a pensar no meu furacão particular. Um furacão, para mim, de proporções astronômicas e arrasadoras.
Começou com um dia de sol, passou por algumas tempestades, algumas garoas, dias cinzentos, e quando pensei ser o sol brilhando na manha de verão, o final do dia foi avassalador.
No final do dia, veio uma tempestade tropical que ganhou forças e se transformou em um verdadeiro tufão.
Assim, como aqueles em que vemos na TV, veio e deixou tudo espalhado no chão.
Verdades e mentiras misturadas todas no mesmo lugar, crenças, esperanças, desejos, aspirações, planos...  tudo destruído. Não sobrou quase nada.
Os telhados, foram brutalmente arrancados e levados pra bem longe.. nunca mais os encontrei.
Paredes ruíram e estão sendo construídas pouco a pouco,  com muito sacrifício. As vezes falta material, as vezes faltam forças, e as vezes falta vontade.
O lado bom, é que estou remodelando os cômodos. Diminuindo alguns, ampliando outros, e outros ainda deixaram de existir.
Mas isso leva tempo e energia, é um desgaste imenso, principalmente para quem passou pela tempestade e o furacão sequencialmente.
Interessante dizer que o alicerce foi  em partes arrancado, uma parte continua intacta, a outra completamente destruída.
O que sobra depois de um furacão?
Isso ainda martelava em minha cabeça. E depois de olhar tudo novamente, conclui: Não sobra quase nada e sobra tudo.
Nada em pé, nada da mesma forma, nada como já foi.  
Fica tudo misturado, tudo bagunçado, tudo jogado, tudo quebrado, tudo destruído.
E chego a conclusão que depois do furacão, ficam muitas coisas destruídas, e poucas coisas em pé.
Fica uma bagunça só. Fica tudo jogado, espalhado pelos espaços... o que era antes ocupado pela organização, pela certeza, pela segurança, depois do furacão foi substituido, pela bagunça, pelas incertezas, inseguranças, e dúvidas, além do medo constante do furacão voltar.
Mesmo com dias de sol, o medo que outro furacão na mesma intensidade ou até pior se materialize, é paralisante.
Qualquer nuvem, qualquer pingo d´agua, qualquer menção de trovões, qualquer brisa  passa a ser um forte indicio de novos furacões e para evitar destruição maior, me protejo e me fecho no  abrigo subterrâneo de minhas dores, no bunker de meu sofrimento e lá, ilusoriamente, fico protegida até que a chuva passe e até que a coragem apareça...
  
Patricia Pereira
21/01/2013

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