14 de out. de 2010

Desabafo da escrita



Ultimamente escrever tem sido muito mais que uma necessidade...
Escrever tem sido uma forma de ser ouvido por mim mesmo.
Escrever tem trazido a tona, coisas que eu não sei falar.
Mostra sempre um sentimento muito mais forte do que o que pode ser explicitado em ações. E ainda assim... cometo alguns deslizes.
Dizer coisas por simbolos agrupados, impressos no papel, tem sido muito mais fácil que entoado pelas cordas vocais me dadas por Deus.
Não... eu não estou de forma alguma desmerecendo o som que sai da minha boca.. ao contrário, tenho cuidado para que o que saia, seja sempre suave, doce, delicado e não fira ninguém.
Mas a máquina que transforma amargor em doce, quebrou. Então, o silencio é ainda a melhor escolha.
Dizem que temos dois ouvidos e uma boca, para ouvir mais e falar menos.
Tenho tentado praticar isso... tenho ouvido muita gente... muitas coisas... muitas dores...muitas alegrias... muitas frustrações... mas o que eu não sabia, era que a medida que eu ouvia, me tornava parte daquilo também...
Com isso, o que é meu, que também precisa ser expurgado, vai sendo empurrado para mais fundo, e cada vez fica mais dificil de sair.
Por isso escrever é uma alternativa salutar.
Escrever organiza idéias, sentimentos, sensações, liberta os pensamentos doentios e as idéias destrutivas.
Escrever me faz bem e quem dera eu tivesse o dom da escrita dos poetas.
Ah! Se isso fose possível !!!
Quem me dera poder tocar cada coração com as palavras... fazer descer uma lágrima para que o coração fosse aliviado, para que a visão fosse lavada e se desanuviasse...
Quem dera!!!
Pretensões à parte, se com esta escrita um tanto quanto imatura pelo menos a minha cura acontecer, já valeu a pena ter me exposto e me arriscado a bailar com as palavras...
Ainda que essa dança ocorra sem jeito, sem ritmo, sem compasso, sem swing, ainda que passando vergonha...
Se for desta forma que a cura se dará... Que estes pequenos demônios tomem o caminho da luz!!!
Patricia Pereira
14/10/2010

13 de out. de 2010

Devaneios


Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face...

Sim eu roubei a frase de Jacob Levi Moreno pra começar a dizer o que preciso.

Sim, foi um encontro. Um reencontro.
Isso ficou claro pra mim depois do primeiro contato...
Não sei quem é, não sei o que pensa, não sei o que sente, não sei o que quer, não sei o que precisa, não sei absolutamente nada.
Nunca vi, nunca toquei, só senti...

O que sei apenas é que insistentemente me pertuba. Me perturba tanto, que nao sei como agir, não sei pra onde ir, não sei como fugir.

Aparece em meus sonhos, em meus desejos, em meus devaneios.
Chega sorrateiro, e vai fazendo bagunça por onde passa. Começa nos olhos... deixa tudo embaçado... confuso... Depois passa pelas orelhas... diz coisas absurdas, que me tiram o sentido. Seu timbre é simplesmente deslumbrante. Depois só pra me deixar apavorada, desce aos meus pés.

Faz cena... se joga, pede pra nunca mais deixa-lo... e eu atônita, continuo sem reação. Depois, com suas mãos, massageia minhas pernas, numa delicadeza e suavidade que não sei descrever... Passa as mãos pela minha cintura, sobe minhas costas, e me abraça com tanto afeto que nunca mais quero sair dali.
Depois, chega a minha boca. E eu por longos minutos fico sem respirar. Me perco de mim... uma sensação forte me invade... sou incapaz de qualquer gesto, a unica coisa que balbucio, é ... nunca mais se va pra longe de mim... não me deixe aqui de novo... e ele entoa um cantico que me inebria...
Depois assim como chegou, se vai. Me deixa solitária novamente e esperando a sua proxima visita.
Não vejo a hora de adormecer para a sua chegada.. mas nem sempre ele vem...

Não sei seu rosto... mas quando me toca o reconheço imediatamente.
Vive por aqui... por ali... chega perto, some de novo... faz isso só pra me enlouquecer...

E é assim que continuo a sua espera, toda noite.... a cada cochilada... a cada minuto... acordada ou não...

E assim estou, até que ele também me reconheça. Será que vai demorar?

Patricia Pereira
12/10/2010

8 de out. de 2010

O Homem de Bem



O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica alei da justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciencia sobre os proprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguem tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros tudo aquilo que que queria que os outros fizessem por ele.
Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria, sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se em todas as coisas à sua vontade.
Tem fé no futuro e por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.
O homem possuido pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa,paga o mal com o bem, toma a defesa do raco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à justiça.
Encontra sua satisfação nos beneficios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros antes que em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros antes que dos seus. O egoismo ao contrario, calcula os proveitos e perdas de cada ação generosa.
É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem crenças, porque vê todos os homens como irmãos.
Respeita nos outros todas as convicções sinceras, enão lança anátema aos que não pensam como ele.
Em todas as circunstancias, a caridade é o seu guia. Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade alheia como seu orgulho e o seu desdém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao proximo e não merece a clemencia do senhor.
Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e não se lembra senão dos beneficios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado.
É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgencia, e se lembra destas palavras do Cristo: "Aquele que está sem pecado que atire a primeira pedra."
Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência. Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal. Estuda as suas proprias imperfeições, e trabalha sem cessar em combatê-las. Todos os seus esforços tendem a permitir-lhe dizer, amanhã, que traz em si alguma coisa melhor que na véspera.
Não tenta fazer valer nem seu espírito, nem os seus talentos, às expensas dos outros. Não se envaideceem nada com a sua sorte, nem com os seus predicados pessoais, poruqe sabe que tudo o quanto lhe foi dado, pode ser retirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é po-los ao serviço da satisfação de suas paixões.
Se nas relações sociais, alguns homens se encontram na sua dependência trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa sua autoridade para erguer-lhes o moral, e não para os esmagar com o seu orgulho, e evita tudo quanto poderia tprnar mais penosa a sua posição subalterna.
O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo de procurar cumpri-los conscienciosamente.
O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhe são assegurados pelas leis da natureza como desejaria que os seus fossem respeitados.
Esta não é a relação completa das qualidades que distinguem o homem de bem, mas quem quer que se esforce para possui-las estará no caminho que conduz às demais.

Retirado do EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO
Cap. XVII - Item 3

Patricia Pereira
12/10/2010

11 de set. de 2010

Poema em Linha Reta



Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Alvaro de Campos (Fernando Pessoa)

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17 de ago. de 2010

SOLIDÃO



Muitas vezes na solidão, fico buscando frases feitas e poemas que possam traduzir tudo o que sinto.
Uma musica, uma frase, um sentido.
Escrever, coloca em ordem até os sentimentos mais confusos. Escrever dá forma às dores, às sensações, e liberta a pressão insistente de dentro do peito.
Ja se cantou e ja se escreveu: "Solidão, da um tempo e vai saindo".. mas nem gritando, as vezes isso acontece.
Ela não sai. Nem se mexe...
Fiquei então refletindo sobre o que é a solidão.
Solidão não é falta de gente, é estado de espirito. Podemos estar rodeado de pessoas, que ainda assim nos sentimos só.
É uma necessidade de algo que não está presente, e que fica faltando...
É uma saudade muito aumentada, distorcida incompleta, ausente.
Solidão é o frio sem cobertor.


Patricia Pereira
16/08/2010

8 de jul. de 2010

Musica: FELIZ



Para quem bem viveu o amor

duas vidas que abrem não acabam com a luz

São pequenas estrelas que correm no céu

trajetorias opostassem jamais deixar de se olhar.


É um carinho guardado

num cofre de um coração que voou

É um afeto deixado nas veias

de um coração que ficou.


É a certeza da eterna presençada vida que foi,

na vida que vaié saudade da boa, feliz cantar


Que foi, foi, foi,

foi bom e pra sempre será

Mais, mais, mais

Maravilhosamente, amar


Gonzaguinha

Pra você eu digo Sim!



Se eu me apaixonar

Vê se não vai debochar

Da minha confusão

Uma vez me apaixonei

E não foi o que pensei

Estou só, desde então...


Se eu me entregar, total

Meu medo é

Você pensar que eu

Sou superficial

Se eu não fizer amor

Assim sem mais

Se você brigar e for

Correndo atrás de alguém

Não vou suportar a dor de ver

Que eu perdi mais uma vez meu amor


Mas se eu sentir que nós

Estamos juntos

Longe ou a sós no mundo e além

Pode crer que tudo bem

O amor só precisa de nós dois mais ninguém...


Se você quiser ser meu namoradinho

E me der o seu carinho sem ter fim

Pra você eu digo sim!


Rita Lee


Patricia Pereira

08/07/2010

UM PEDIDO EM ORAÇÃO

  Sabe Deus, hoje eu queria me abrir com você. É eu sei, de novo... mas eu sei que o senhor me ouve.  Sabe, nos últimos tempos as coisas tem...