7 de dez. de 2010

Preciso ser salva


Preciso ser salva desse turbilhao que há dentro de mim
Preciso ser salva das minhas angustias, dos meus desejos insanos, e da necessidade que tem se feito constante
Preciso ser salva dos meus pensamentos insistentes em ter você
Preciso ser salva pra não me perder de mim mesma, me tornando a cada dia uma coisa que eu imagino que vc queira.
Preciso ser salva pra que eu possa me perder insanamente quando vc chegar
Preciso ser salva dos meus anseios...
Preciso ser salva dessa obssessão ...
Preciso ser salva de mim e me libertar de você.

Patricia Pereira
08/12/2010

8 de nov. de 2010

A Foto



Primeiro foram os olhos... ah! que olhos... Um olhar tão penetrante que não desgrudaram dos meus... Um olhar amendoado, doce, delicado... Um olhar firme, forte, intenso, enlouquecedor...

Depois a sua boca... uma boca bem desenhada, suculenta que silenciosamente gritava de desejo... salivava de vontade.. e sem que eu percebesse veio em direção a minha.. me pegou de surpresa e assustada não pude reagir .... Me beijou como se me conhecesse a tempos... e também como se fosse a primeira e ultima vez... minhas pernas bambearam.

Por um segundo senti o mundo girando mais rápido que o normal, o chão se perdeu... futuei

Quando dei por mim, senti nossos corpos grudados...

Primeiro senti seus pés se entrelaçarem aos meus, suas canelas roçando as minhas... seus joelhos me tocando, suas coxas esfregando-se freneticamente em mim... Num ato de impulso e de loucura, passei os meu braços em volta do seu pescoço e apertei o meu peito contra o seu... como que querendo aquilo que a fisica diz impossivel, querendo que meu corpo e o seu ocupassem o mesmo espaço.

Num conjunto maluco, meu corpo todo sentia o seu... suado... quente, frenetico.

Sua boca na minha, me tirava o folego, suas mãos passeando nas minhas costas, me acariciando.. me dava arrepios... e então... ao abrir os meus olhos... estava molhada de suor, deitada em minha cama... procurando o sonho que espalhara-se pelo chão...

Estava mais uma vez, só...

Apenas a sua imagem se fazia presente... e eu adormeci olhando novamente a sua foto...



Patricia Pereira

08/11/2010

21 de out. de 2010

PAIXÃO



Sabe... eu te amo...

Faço tudo pra chamar a sua atenção... Me maqueio, me produzo, corto cabelo diferente, mudo a roupa, fico sem roupa...

Faço estripulias, danço na chuva, coloco laço no cabelo, me visto com roupas coloridas, sapato alto, meia 7/8, cinta liga... Coloco vestido curto, vestido longo... salto agulha... faço tudo pra você me notar...

Choro, grito, esperneio no meio da rua... nada acontece. Você não reage..

Aí uma tristeza imensa me invade, paralizo, me revolto... passo a ficar com raiva da sua inércia.

Passo a te odiar...

Não quero ve-lo nem pintado de ouro...
Desdenho de suas histórias, blasfemo suas conquistas, reclamo sua existencia, apago seu telefone, excluo o seu e-mail, rogo pragas, torço pra que você se apaixone loucamente e não seja correspondido, só pra sentir exatamente o que eu sinto.

Começo a caçoar do amor e das paixões...

E espero que cada palavra que eu jogue ao vento te atinja com tanta intensidade e tão diretamente, que isso te faça acordar, só pra que eu também possa te dizer não...

Mas isso tudo acontece até que a saudade chegue...

Aí eu percebo que não é nada disso...

Percebo que o que eu quero mesmo é que de alguma forma você saiba que eu sou louca por você...

E então tudo começa de novo.

Faço tudo pra chamar a sua atenção, me maqueio, me produzo, corto cabelo diferente, mudo a roupa, fico sem roupa...

Enfim, num círculo vicioso, vou esperando o dia e a hora que conseguirei romper essa barreira e me libertar desse cárcere que é te desejar todo dia, toda hora, com cada célula do meu corpo e cada sinapse do meu cérebro.


Patricia Pereira
21/10/2010

14 de out. de 2010

Desabafo da escrita



Ultimamente escrever tem sido muito mais que uma necessidade...
Escrever tem sido uma forma de ser ouvido por mim mesmo.
Escrever tem trazido a tona, coisas que eu não sei falar.
Mostra sempre um sentimento muito mais forte do que o que pode ser explicitado em ações. E ainda assim... cometo alguns deslizes.
Dizer coisas por simbolos agrupados, impressos no papel, tem sido muito mais fácil que entoado pelas cordas vocais me dadas por Deus.
Não... eu não estou de forma alguma desmerecendo o som que sai da minha boca.. ao contrário, tenho cuidado para que o que saia, seja sempre suave, doce, delicado e não fira ninguém.
Mas a máquina que transforma amargor em doce, quebrou. Então, o silencio é ainda a melhor escolha.
Dizem que temos dois ouvidos e uma boca, para ouvir mais e falar menos.
Tenho tentado praticar isso... tenho ouvido muita gente... muitas coisas... muitas dores...muitas alegrias... muitas frustrações... mas o que eu não sabia, era que a medida que eu ouvia, me tornava parte daquilo também...
Com isso, o que é meu, que também precisa ser expurgado, vai sendo empurrado para mais fundo, e cada vez fica mais dificil de sair.
Por isso escrever é uma alternativa salutar.
Escrever organiza idéias, sentimentos, sensações, liberta os pensamentos doentios e as idéias destrutivas.
Escrever me faz bem e quem dera eu tivesse o dom da escrita dos poetas.
Ah! Se isso fose possível !!!
Quem me dera poder tocar cada coração com as palavras... fazer descer uma lágrima para que o coração fosse aliviado, para que a visão fosse lavada e se desanuviasse...
Quem dera!!!
Pretensões à parte, se com esta escrita um tanto quanto imatura pelo menos a minha cura acontecer, já valeu a pena ter me exposto e me arriscado a bailar com as palavras...
Ainda que essa dança ocorra sem jeito, sem ritmo, sem compasso, sem swing, ainda que passando vergonha...
Se for desta forma que a cura se dará... Que estes pequenos demônios tomem o caminho da luz!!!
Patricia Pereira
14/10/2010

13 de out. de 2010

Devaneios


Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face...

Sim eu roubei a frase de Jacob Levi Moreno pra começar a dizer o que preciso.

Sim, foi um encontro. Um reencontro.
Isso ficou claro pra mim depois do primeiro contato...
Não sei quem é, não sei o que pensa, não sei o que sente, não sei o que quer, não sei o que precisa, não sei absolutamente nada.
Nunca vi, nunca toquei, só senti...

O que sei apenas é que insistentemente me pertuba. Me perturba tanto, que nao sei como agir, não sei pra onde ir, não sei como fugir.

Aparece em meus sonhos, em meus desejos, em meus devaneios.
Chega sorrateiro, e vai fazendo bagunça por onde passa. Começa nos olhos... deixa tudo embaçado... confuso... Depois passa pelas orelhas... diz coisas absurdas, que me tiram o sentido. Seu timbre é simplesmente deslumbrante. Depois só pra me deixar apavorada, desce aos meus pés.

Faz cena... se joga, pede pra nunca mais deixa-lo... e eu atônita, continuo sem reação. Depois, com suas mãos, massageia minhas pernas, numa delicadeza e suavidade que não sei descrever... Passa as mãos pela minha cintura, sobe minhas costas, e me abraça com tanto afeto que nunca mais quero sair dali.
Depois, chega a minha boca. E eu por longos minutos fico sem respirar. Me perco de mim... uma sensação forte me invade... sou incapaz de qualquer gesto, a unica coisa que balbucio, é ... nunca mais se va pra longe de mim... não me deixe aqui de novo... e ele entoa um cantico que me inebria...
Depois assim como chegou, se vai. Me deixa solitária novamente e esperando a sua proxima visita.
Não vejo a hora de adormecer para a sua chegada.. mas nem sempre ele vem...

Não sei seu rosto... mas quando me toca o reconheço imediatamente.
Vive por aqui... por ali... chega perto, some de novo... faz isso só pra me enlouquecer...

E é assim que continuo a sua espera, toda noite.... a cada cochilada... a cada minuto... acordada ou não...

E assim estou, até que ele também me reconheça. Será que vai demorar?

Patricia Pereira
12/10/2010

8 de out. de 2010

O Homem de Bem



O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica alei da justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciencia sobre os proprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguem tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros tudo aquilo que que queria que os outros fizessem por ele.
Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria, sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se em todas as coisas à sua vontade.
Tem fé no futuro e por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.
O homem possuido pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa,paga o mal com o bem, toma a defesa do raco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à justiça.
Encontra sua satisfação nos beneficios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros antes que em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros antes que dos seus. O egoismo ao contrario, calcula os proveitos e perdas de cada ação generosa.
É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem crenças, porque vê todos os homens como irmãos.
Respeita nos outros todas as convicções sinceras, enão lança anátema aos que não pensam como ele.
Em todas as circunstancias, a caridade é o seu guia. Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade alheia como seu orgulho e o seu desdém, que não recua à ideia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao proximo e não merece a clemencia do senhor.
Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e não se lembra senão dos beneficios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado.
É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgencia, e se lembra destas palavras do Cristo: "Aquele que está sem pecado que atire a primeira pedra."
Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência. Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal. Estuda as suas proprias imperfeições, e trabalha sem cessar em combatê-las. Todos os seus esforços tendem a permitir-lhe dizer, amanhã, que traz em si alguma coisa melhor que na véspera.
Não tenta fazer valer nem seu espírito, nem os seus talentos, às expensas dos outros. Não se envaideceem nada com a sua sorte, nem com os seus predicados pessoais, poruqe sabe que tudo o quanto lhe foi dado, pode ser retirado.
Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é po-los ao serviço da satisfação de suas paixões.
Se nas relações sociais, alguns homens se encontram na sua dependência trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa sua autoridade para erguer-lhes o moral, e não para os esmagar com o seu orgulho, e evita tudo quanto poderia tprnar mais penosa a sua posição subalterna.
O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo de procurar cumpri-los conscienciosamente.
O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhe são assegurados pelas leis da natureza como desejaria que os seus fossem respeitados.
Esta não é a relação completa das qualidades que distinguem o homem de bem, mas quem quer que se esforce para possui-las estará no caminho que conduz às demais.

Retirado do EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO
Cap. XVII - Item 3

Patricia Pereira
12/10/2010

11 de set. de 2010

Poema em Linha Reta



Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o Ideal, se os ouço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Alvaro de Campos (Fernando Pessoa)

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

UM PEDIDO EM ORAÇÃO

  Sabe Deus, hoje eu queria me abrir com você. É eu sei, de novo... mas eu sei que o senhor me ouve.  Sabe, nos últimos tempos as coisas tem...